Viagens

Andreia esteve numa “aldeia nas nuvens” onde só vivem 50 pessoas (e não há carros)

Também não há rede e nem Internet. É possível visitar e pernoitar numa das casas tradicionais, desde que respeite os costumes.

Casas cónicas, costumes ancestrais e uma vista interminável para as montanhas. Assim que chegou à aldeia de Wae Rebo, na Ilha das Flores, na Indonésia, Andreia Coutinho sentiu-se completamente isolada do mundo. Afinal, não havia carros à vista e muito menos rede no telemóvel.

“Sentimo-nos completamente longe da sociedade”, começa por contar à NiT a designer gráfica de 33 anos, que passou uma noite na “aldeia nas nuvens”, assim conhecida por se situar a cerca de 1.200 metros de altitude. “Não tínhamos rede, nem Internet. Era uma coisa fora do normal, mas todas as pessoas eram muito queridas”.

Para lá chegar, é necessário fazer uma caminhada de cerca de três horas, nada fácil. “É complicado porque é sempre a subir”, recorda. “Há umas zonas um bocadinho menos resguardadas, porque não estão muito exploradas. Houve uma área em que passámos, onde tinha havido uma derrocada e foi mais perigoso, mas nada dramático.”

Embora esteja completamente isolada, a aldeia de Wae Rebo costuma receber turistas, de preferência sempre acompanhados por guias que os alertam para a importância de respeitar as tradições dos cerca de 50 habitantes.

A história da aldeia começa com o povo Manggarai na Ilha das Flores, a partir do sonho de um ancião da 19.ª geração, que tinha o sonho de se estabelecer nas terras altas. Foi ele que fez nascer a aldeia, onde se situam as atuais casas cónicas, chamadas de Mbaru Niang, que terão sido construídas no início do século XX.  São nas tradicionais Mbaru Niang que vivem os cerca de 50 habitantes.

Na verdade, a população local ronda os mil habitantes, sendo que os restantes vivem nas proximidades da aldeia. A comunidade preservou o estilo de vida e costumes tradicionais que o povo manteve durante séculos, incluindo a agricultura e as cerimónias comunitárias.

“Quando chegamos à porta da aldeia, por exemplo, tivemos de fazer barulho para alertar a nossa chegada”, explica a designer. “Do outro lado, os habitantes respondem com o mesmo ruído, de forma a permitir a nossa entrada.”

 
 
 
 
 
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Embora não tenha certeza, Andreia acredita que as pessoas responsáveis por gerir a aldeia, e as visitas dos turistas, vivam na vila mais próxima, Denge, onde já há rede e Internet. É naquela zona que começa a caminhada de cerca de três horas pela floresta até ao topo da montanha. 

“Somos levados de minivan até esta vila e depois, chega a uma parte em que o carro já não consegue passar e somos levados por pessoas da região em motas de andar pelo mato”, aponta. “É uma viagem de cerca de meia hora, que vai até um ponto mais acima e a partir daí, fazemos três horas a pé.”

À chegada da aldeia, percebem logo a sua dimensão: há sete casas cónicas espalhadas, sendo que uma delas, a maior, é a que recebe os turistas para dar as boas-vindas. “É um momento muito acolhedor porque eles dizem que durante o tempo em que ficarmos debaixo do teto deles, somos todos uma família”, partilha. “Eles não falam inglês, mas o nosso guia ajudava com a tradução.”

Os visitantes, por sua vez, não tem acesso às casas dos moradores. No entanto, há uma espécie de casa recriada que podem visitar para perceberem como estes vivem. “Não têm qualquer divisão e as famílias dormem todas no mesmo espaço”, explica. “Há algumas cortinas só, para dividir o espaço de cada família.”

O mesmo acontece na casa destinada para a estadia dos turistas: “É completamente aberto. Os colchões são todos espalhados ao lado uns dos outros e dormimos todos ali.”

Andreia explica que alguns habitantes saem de Wae Rebo para trabalhar ou ir para a escola. “Algumas até vão para o Labuan Bajo, que é a capital da ilha”, aponta. “Há também muitas pessoas que vão à aldeia visitar os avós e ver a família aos fins de semana, mas depois voltam para a cidade.

Em termos de religião, seguem o animismo, bastante virado para a natureza e os animais. Entre as tradições e rituais mais comuns, estão o festival Penti, um evento anual focado na colheita com música e dança, e a dança Caci, uma luta de chicotes. A designer, porém, explica que não presenciou nenhuma atividade.

A estadia nas casas tradicionais inclui também refeições, que são muito a base de arroz, ovos, couves, frango e frutas. Os hóspedes também podem caminhar livremente pela aldeia, embora a comunicação com os residentes não seja fácil pela diferença linguística.

“A maior parte das pessoas que mora lá vive de agricultura, da pecuária e das coisas que fazem ali”, sublinha, acrescentando que é possível comprar café biológico na aldeia.  

As reservas para pernoitar em Wae Rebo podem ser feitas online. Uma noite, com guia e refeições incluídos, ronda os 60€ por pessoa.

Como lá chegar 

Deve apanhar um voo para Bali ou Jacarta, na Indonésia. A partir de Lisboa ou do Porto, encontra voos desde 976€. Depois, deve ir de avião até Labuan Bajo, a capital da Ilha das Flores, onde poderá explorar o arquipélago, que inclui a aldeia de Wae Rebo. A forma mais rápida é contratar um guia que o consiga levar até a vila mais próxima da aldeia e acompanhá-lo pelo resto do caminho.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da aldeia de Wae Rebo tiradas por Gonçalo Geirinhas, namorado de Andreia. 

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