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Barra Shopping: a polémica mudança de nome que está a dividir a cidade

A nova identidade do Fórum Barreiro, num investimento de 3 milhões, está a dar que falar nas redes sociais, onde se somam críticas.

O Barreiro acordou esta quinta-feira, dia 20 de novembro, com uma nova imagem no coração da cidade. O conhecido Fórum Barreiro deu lugar ao Barra Shopping, numa mudança que vai muito além da alteração de designação. 

A nova identidade visual, desenvolvida pela Born, pretende simbolizar a ligação entre o passado industrial da cidade e o seu futuro. O logótipo combina o vermelho do ADN local com um roxo contemporâneo, formando uma letra “B” abstrata, que representa tanto a nova marca, como a herança barreirense.

“O Barreiro está a crescer, a transformar-se e a atrair novas pessoas e dinâmicas. O nosso objetivo passa por integrar essa evolução e oferecer à cidade um Centro à altura do seu presente e do seu futuro”, explica, em comunicado enviado às redações, Paulo Silva, diretor do agora Barra Shopping, destacando que o nome “simples e direto” foi pensado para ser facilmente reconhecido e adotado pela comunidade.

Se a estratégia parece bem desenhada no papel, o mesmo não se pode dizer da receção nas redes sociais, onde a mudança gerou um terramoto de opiniões. Num grupo local do Facebook, uma publicação intitulada “Hoje é um dia triste para o Barreiro” acumulou centenas de comentários, maioritariamente críticos e nostálgicos. A saudade pelo nome original emerge como nota dominante entre os utilizadores. “Para mim vai ser sempre Forum Barreiro”, escreve uma internauta, enquanto outra acrescenta “mudança horrível, mudam o nome, mas os barreirenses vão sempre chamar Forum Barreiro”.

A escolha da palavra “Barra” para a nova identidade gerou perplexidade entre os comentadores. “Barra não tem nada a ver com o Barreiro, nem com a sua história. Na tentativa de encontrar justificação para a opção, outra pessoa sugere que “o nome Barreiro pode referir-se a uma área de extração de barro ou aos primeiros pescadores que trabalhavam na barra do Tejo, conhecidos como ‘barreiros'”. No entanto, a explicação histórica não convence, com muitos a considerarem a ligação demasiado ténue.

O humor surgiu como mecanismo de crítica, com múltiplas referências à praia da “Barra a Barra” no Lavradio e à Barra da Tijuca brasileira. “Barra Shopping fica na Barra da Tijuca,” ironiza um comentário. A sensação geral foi sintetizada por um utilizador em poucas palavras: “Uma homenagem a Barra a Barra”, numa clara alusão à praia onde gerações de lavradienses aprenderam a nadar. Algumas vozes mostram-se particularmente críticas em relação à necessidade e oportunidade da mudança. “Quem foi o iluminado se lembrou desta ideia?”, pergunta um crítico de forma contundente. 

Apesar do coro de críticas, há quem adote uma perspetiva mais construtiva sobre a transformação. “Fazem bem em mudar o nome. Já há melhorias e agora para complementar mudar o nome para apagar o desastre que foi, até há poucos meses, o Fórum Barreiro”, argumenta outro barreirense. “Bem pelo contrário, isso nunca foi um shopping, estava mais para shopping abandonado. Esperemos que agora melhore a todos os níveis”.

Mudança a todos os níveis

Numa mudança de paradigma que inclui portas giratórias e a colocação dos painéis de vidro que acabaram com o centro comercial aberto, a nova cara do centro comercial da cidade representa um investimento superior a 3 milhões de euros. Até o site tem uma nova imagem.

A mudança de nome chega após um ciclo significativo de obras e melhorias que têm transformado a experiência de visita. A colocação de portas, o encerramento das varandas e a cobertura das áreas comuns responderam às antigas reclamações dos visitantes contra o vento e a chuva que, durante anos, caracterizaram a experiência de visita no espaço, originalmente concebido como centro comercial ao ar livre.

Estas intervenções, que incluíram a melhoria da acessibilidade e do conforto térmico, representam uma fatia significativa do investimento. Paralelamente, o espaço tem vindo a diversificar a oferta comercial. Além da muito aguardada Loja do Cidadão – que trouxe nova vida e movimento ao espaço – chegaram nos últimos meses marcas como a Wells, que inaugurou uma megastore, a Portugália, a Padaria Portuguesa e o Celeiro. Para 2026, estão confirmadas as aberturas da Normal e da H3, ambas a operar já em Coina, no BPlanet.

Resta saber se os barreirenses acabarão por adotar o novo nome ou se, como aconteceu com outros espaços que passaram por processos semelhantes, preferem manter viva a memória do que sempre foi, demonstrando mais uma vez que a identidade de um lugar se constrói mais pelo uso e afeto das pessoas do que por decisões de marketing.

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