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Fado, malhão e sintetizadores: a Luta Livre de Luís Varatojo passa pelo Barreiro

"Contrafação" é o terceiro álbum do projeto a solo do músico, que chega ao Barreiro com um quarteto híbrido que sobe ao palco da ADAO.

O cartaz chega com cores de aviso e uma palavra que serve de título e de diagnóstico: Contrafação. No próximo sábado, dia 14 de março, às 22 horas, a ADAO recebe Luta Livre, o projeto a solo de Luís Varatojo, que apresenta ao vivo o terceiro álbum desta fase, feito de temas que puxam pelo corpo e pelo sentido crítico.

O músico traz consigo uma biografia que atravessa várias décadas e idiomas musicais. Começou no final dos anos 80 com os Peste & Sida, onde gravou quatro álbuns, passou pelo heterónimo Despe e Siga, com reggae e ska na mistura, fundou com João Aguardela o projeto Linha da Frente, e dessa parceria nasceu A Naifa (2004 a 2014), banda que explorou caminhos entre fado e nova poesia portuguesa, tendo editado cinco álbuns.

Em 2015, avançou com Fandango, cruzando guitarra portuguesa e acordeão num contexto eletrónico. Em 2021, abriu a frente mais direta e interventiva com Luta Livre, um percurso a solo onde a música popular, jazz, rock e eletrónica servem de base a um discurso poético com vontade de morder. Pelo meio, desde 2009, tem trabalho na conceção e direção artística de eventos e espetáculos.

“Contrafação” nasce dessa vontade de apontar o dedo ao tempo presente. O artista fala de falsificação, fraude, desinformação, consumo rápido, validação e fórmulas replicadas, com um país transformado em souvenir, entre romarias e parques de diversões, onde a cultura e a cidadania vão ficando para trás. A matéria prima é pesada, mas o formato recusa solenidade.

O álbum é descrito como um conjunto de dez canções de escárnio e mal dizer, simples e de melodia fácil, acompanhadas à guitarra e ao sintetizador, capazes de embalar até quem chega distraído.

No texto de apresentação do concerto, o espetáculo é descrito como híbrido, com um quarteto pouco habitual: guitarras, percussão eletrónica, sintetizadores e vozes, a passar por fado, corridinho e malhão, mas também por morna, rap e jazz. A promessa é de um serão com humor e acidez, esclarecimento musical e mensagem, consciência e resistência, partilha e festa, porque a ideia de festa aparece como atitude, e isso sente-se melhor ao vivo.

Os bilhetes podem ser comprados online, por 15€. Depois do Barreiro, Luís Varatojo segue para Lisboa (21), Porto (27) e Coimbra (28).

Carregue no play no Fado Imperfeito, do novo álbum “Contrafação”.

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