O pôr do sol no Barreiro costuma oferecer um espetáculo ímpar, sobretudo nos dias em que o céu está limpo e a luz atravessa o Tejo antes de desaparecer atrás da margem de Almada. Há quem o acompanhe nos passadiços, junto aos moinhos, nas esplanadas ou durante a travessia de barco para Lisboa. Na sexta-feira, 24 de julho, será possível observá-lo de uma forma menos habitual, mas não menos divertida: sentado numa canoa havaiana, já dentro do rio, com a margem do Barreiro a afastar-se lentamente atrás dos remos.
Visto da água, o fim do dia tem um ângulo totalmente diferente do usual. A cidade deixa de preencher todo o campo de visão e começa a caber numa linha comprida, formada pelos edifícios, cais, embarcações, estruturas industriais e pontos de luz que vão aparecendo à medida que o sol desce.
Esta é a proposta da nova edição do Sunset Kahuna, uma atividade exclusiva organizada pela Kahuna Barreiro a partir da sua base no Grupo Desportivo dos Ferroviários do Barreiro, junto à estação fluvial. O passeio acontece ao final da tarde e coloca os participantes entre as margens do Barreiro e de Almada. “A ideia é ter estas experiências outras vezes ao longo do verão. Depende apenas das previsões meteorológicas. Vamos avisar novas datas a cada semana”, explica Rui Libório, de 52 anos, que coordenada o projeto Kahuna, que trouxe a embarcação havaiana para o Barreiro.
A experiência começa antes de a canoa tocar na água. Os participantes recebem explicações sobre a posição correta, a forma de segurar o remo e o movimento que será repetido ao longo do percurso. Cada pessoa ocupa um lugar definido e precisa de acompanhar a cadência indicada pelo responsável da atividade. A embarcação avança melhor quando todos repetem o mesmo gesto ao mesmo tempo.
Naturalmente, a atividade exige algum esforço físico, embora o Sunset Kahuna tenha sido criado como uma atividade de lazer. Os participantes remam, movimentam o tronco e ajudam a conduzir a embarcação, mas o percurso inclui momentos de menor intensidade e pausas para observar o cenário. Quem nunca experimentou a modalidade pode participar, basta seguir à risca as orientações dadas durante a sessão.
A canoa usada nesta experiência pertence a uma tradição desenvolvida pelos povos da Polinésia, que recorreram a embarcações semelhantes para pescar, transportar pessoas e percorrer grandes distâncias entre ilhas. Conhecidas como canoas polinésias, havaianas, wa’a, va’a ou outriggers, distinguem-se pelo flutuador lateral ligado ao casco, uma estrutura que aumenta a estabilidade.
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Nas antigas viagens pelo Pacífico, as canoas podiam ter dimensões muito superiores e transportar água, fruta, cocos, plantas, utensílios e famílias inteiras. A navegação dependia da observação das estrelas, dos ventos, das correntes marítimas, da ondulação e do voo das aves. Esse conhecimento era transmitido oralmente entre gerações e exigia uma atenção rigorosa ao comportamento do mar.
Foi essa combinação entre atividade física, convívio e contacto com o rio que levou Rui Libório a apostar na criação da Kahuna Barreiro. O projeto chegou à cidade em setembro de 2025, através de uma parceria com a Kahuna Portugal e o Grupo Desportivo dos Ferroviários do Barreiro.
A escolha do local aproximou a modalidade de uma zona que vive diariamente em torno do Tejo. Junto à estação fluvial, milhares de pessoas atravessam o rio para trabalhar, estudar ou regressar a casa. A canoa propõe outra relação com a mesma água, desta vez sem a pressa dos transportes e com o próprio percurso a ocupar o centro da experiência.
Rui considera que a modalidade tem espaço para crescer no concelho, tanto no lazer como na competição. Desde a instalação da base, o projeto passou a desenvolver aulas regulares, treinos para participantes que desejam evoluir, passeios especiais, festas e atividades de team building.
Quem preferir experimentar a modalidade fora do horário de sunset pode inscrever-se numa aula avulsa e que custa 15€. As turmas regulares funcionam às terças e quintas-feiras, entre as sete e as oito horas, e aos sábados, em dois horários: das nove às 10h30 e das 10h30 ao meio-dia.
As mensalidades custam 40€ para uma aula por semana, 52€ para duas sessões semanais e 63€ para três. A organização prevê abrir novos horários à medida que os lugares disponíveis nas canoas forem preenchidos.
A edição de 24 de julho terá uma lotação reduzida, definida pela capacidade da embarcação, e as reservas devem ser feitas antecipadamente junto da Kahuna Barreiro. O valor é 15€ e o encontro do grupo ocorre às 20 horas no Grupo Desportivo dos Ferroviários do Barreirohorário. As reservas podem ser feitas pelo contacto 917 609 401. O passeio dura entre 60 e 90 minutos (dependendo da maré).
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