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Esta visita guiada gratuita desvenda um segredo com 500 anos na Mata da Machada

O espaço guarda um antigo centro oleiro ligado às rotas marítimas portuguesas. Agora vai poder conhecê-lo de perto.

No meio da Mata da Machada, longe da imagem mais imediata do Barreiro industrial, permanece um dos vestígios mais relevantes da produção oleira ligada à expansão marítima portuguesa. É para esse núcleo que regressa a próxima visita guiada ao Centro de Interpretação do Campo Arqueológico da Mata da Machada, uma proposta que permite entrar num capítulo muito mais antigo da história do concelho e perceber como este território participou, de forma direta, numa cadeia de produção essencial entre os séculos XV e XVI.

O percurso passa pela exposição permanente e conduz depois ao elemento mais importante de todo o conjunto: o forno cerâmico quinhentista, classificado como monumento de interesse público. A estrutura conserva a fornalha e parte da câmara de cozedura, parcialmente soterradas, com paredes de adobe cru e uma grelha de tijolos alinhados que regulava a circulação do calor. Visto de perto, o forno ajuda a perceber a dimensão técnica e económica deste complexo, instalado num lugar onde tudo favorecia a produção em escala.

O terreno oferecia barro, água e combustível natural, através da lenha e do mato, e beneficiava ainda da proximidade do rio, fator decisivo para o escoamento das peças. A olaria da Machada integrava, por isso, uma lógica produtiva muito organizada. Dali saíam recipientes de uso doméstico, mas também contentores de perfil mais industrial, muitos deles destinados ao abastecimento das embarcações portuguesas que partiam para outros continentes. O espaço cruzava, assim, a vida quotidiana com os grandes circuitos comerciais do período.

A redescoberta deste núcleo aconteceu apenas em 1980, quando foi identificado um vazadouro de cerâmica entre a vegetação. A partir desse momento, várias campanhas arqueológicas coordenadas por Cláudio Torres permitiram escavar uma área com cerca de mil metros quadrados e recuperar um espólio significativo de cerâmicas e moedas. Esse trabalho ajudou a datar o local e a perceber com maior precisão o seu papel na economia da época.

A próxima visita realiza-se a 18 de abril, às 10 horas, com ponto de encontro na Casa do Centro de Educação Ambiental. A participação é gratuita, mas exige inscrição prévia junto do Posto de Turismo do Barreiro, no Terminal Rodo Ferro Fluvial, através do telefone 212 068 287 ou do e-mail postodeturismo@nullcm-barreiro.pt. A iniciativa é dirigida ao público em geral, tem duração aproximada de duas horas e organização da Câmara Municipal do Barreiro.

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