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Eclipse vai esconder 94% do Sol no Barreiro. Saiba qual o melhor spot para ver tudo

Prepare os óculos: o fenómeno acontece ao final da tarde e poderá ser visto de vários pontos da frente ribeirinha.

Na quarta-feira, 12 de agosto, o Barreiro vai ver a Lua ocultar 94,4 por cento do Sol sobre o Tejo, no mesmo eclipse que levará uma pequena zona de Portugal à escuridão total pela primeira vez desde 1912.

Quem perder esta oportunidade, terá de esperar para repetir a experiência dentro das fronteiras portuguesas: o próximo eclipse total do Sol no País está previsto para 2144. A faixa dos 100 por cento ficará limitada a uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, mas o resto de Portugal continental terá um eclipse parcial profundo, com níveis de ocultação entre 92 e 99 por cento.

No Barreiro, ficará visível apenas uma estreita porção do disco solar no momento de maior cobertura. A raridade já seria suficiente para fazer desta quarta-feira um fim de tarde diferente.

A geografia do Barreiro acrescenta-lhe outra vantagem. O eclipse acontece quando o Sol estiver a descer rapidamente em direção ao horizonte oeste e, durante o máximo, estará apenas cerca de dez graus acima da linha do horizonte.

A cidade possui quilómetros de frente ribeirinha virada para o Tejo, com áreas abertas onde edifícios e relevo interferem pouco na vista. Aquilo que durante todo o verão serve para escolher onde beber um copo ao pôr do sol transforma-se, durante cerca de duas horas, num mapa bastante conveniente para observar um dos acontecimentos astronómicos mais raros de várias gerações.

As contas para o Barreiro já permitem organizar o fim de tarde quase ao minuto. A Lua começa a avançar sobre o disco solar por volta das 18h39. Às 19h36 acontece o máximo, quando 94,43 por cento da superfície aparente do Sol estará encoberta. A partir daí, a Lua começa a libertá-lo lentamente, com o fenómeno a terminar pelas 20h29.

O detalhe que torna o cenário ainda mais curioso está cinco minutos depois: no dia 12, o pôr do sol no Barreiro está previsto para as 20h34. Ou seja, praticamente todo o eclipse acontece durante a descida do Sol sobre o Tejo e termina quando o astro já está encostado ao horizonte.

No Restaurante Ó Rio, no Polis, Marco Matosa já percebeu que um sunset habitual dificilmente competiria com este. O espaço prepara-se para receber quem quiser acompanhar o fenómeno à mesa e até encontrou nome para o programa: ÓCLIPSE.

Ó Rio é dos spots mais concorridos para ver o elipse do dia 12 de agosto.

“Estamos no melhor local da cidade para presenciar o fenómeno”, respondeu o espaço à New in Barreiro quando perguntámos se estava a preparar alguma iniciativa especial. A ideia passa por aproveitar o ambiente que já existe por ali ao final da tarde, com comida, jantar, bebidas e música ambiente, desta vez sem DJ. Nas palavras do próprio Ó Rio, será “tudo na paz do ÓCLIPSE”.

O cenário ajuda a explicar o entusiasmo. Instalado no Parque Recreativo da Cidade, o Ó Rio tem a esplanada voltada para uma grande área aberta junto ao Tejo e prolonga-se pelo relvado através dos pufes que se tornaram parte da imagem do espaço. Num dia comum de agosto, o lugar já vive muito do momento em que a luz começa a baixar sobre o rio.

Nesta quarta-feira, o efeito começa bem antes do pôr do sol e deverá tornar-se mais evidente à medida que a Lua cobrir uma área cada vez maior do disco solar.

Marco quer também transformar as fotografias daquele fim de tarde numa espécie de álbum coletivo. Quem estiver no Ó Rio poderá fotografar o eclipse a partir do espaço, publicar a imagem e identificar o bar.

Entre as fotografias partilhadas, será escolhida uma vencedora. O prémio prolonga a noite alguns dias: o autor da imagem selecionada receberá uma noite de “free drinking” no bar do Ó Rio durante as Festas do Barreiro.

“A ideia é todos guardarem este momento único junto a nós. Ficaremos para sempre ligados”, explica o espaço. Os últimos detalhes serão divulgados nas redes sociais nos próximos dias.

O Ó Rio tem companhia nesta espécie de bancada natural montada à beira-Tejo. O Polis concentra alguns dos locais mais fáceis para juntar a observação a um lanche, bebida ou jantar.

O Julliet Café & Bistrô também fica dentro do Parque Recreativo e oferece uma esplanada desafogada, enquanto o Restaurante Sammy Sosa Riverside, na Avenida da Liberdade, permite trocar o programa clássico de sunset por tacos, nachos e margaritas enquanto a Lua avança sobre o Sol.

O Polis tem vista desafogada para o por do sol no Barreiro.

A vantagem desta zona vai além das mesas. O próprio Parque Recreativo oferece relvados e percursos pedonais com uma visão larga do céu, algo especialmente importante neste eclipse.

Como o Sol estará muito baixo durante a fase mais interessante, árvores altas, prédios ou outros obstáculos a oeste podem cortar a observação antes do fim. A recomendação da organização nacional do Eclipse do Sol 2026 é escolher uma área desobstruída voltada para oeste. No Barreiro, grande parte da frente do Polis já cumpre naturalmente essa condição.

Seguindo em direção a Alburrica, o cenário muda sem perder o horizonte. A Rua Miguel Pais e os passadiços junto aos moinhos formam outra das zonas habituais para perseguir o último sol do dia.

A Cafetaria Coffeebox ocupa há anos uma posição privilegiada neste percurso e fez da esplanada com vista sobre o Tejo uma parte importante da sua identidade. Quem escolher ficar por ali poderá acompanhar grande parte do eclipse entre uma imperial, uma tosta ou o início do jantar, com os moinhos e Alburrica a entrarem no enquadramento das fotografias.

Quase ao lado, a Maria – Artesanal & Bio oferece uma alternativa mais pequena e tranquila. A zona volta a beneficiar do mesmo argumento que tornou estes espaços referências de fim de tarde: o céu abre-se sobre o rio e os moinhos ficam em primeiro plano, criando um cenário muito diferente daquele que se teria a partir de uma rua fechada do centro da cidade.

Para quem preferir abdicar da mesa, os passadiços de Alburrica e a própria zona dos moinhos podem acabar por ser uma das escolhas mais fotogénicas. O eclipse atinge o máximo às 19h36, quase uma hora antes do pôr do sol, quando o Sol estará suficientemente baixo para poder entrar no mesmo enquadramento da paisagem. Fotografá-lo, contudo, exige cuidados próprios: câmaras e telemóveis também devem ser usados de forma a evitar a exposição direta e prolongada ao Sol sem filtros adequados.

Do outro lado deste roteiro, a Avenida Bento Gonçalves mantém uma das vistas mais amplas sobre Lisboa, as pontes e o estuário. O BitoqueBar, uma das chegadas mais recentes à Avenida da Praia, pode servir de base para quem quiser transformar a observação em jantar, enquanto a própria marginal permite procurar um ponto aberto para acompanhar a descida do Sol. O Camarro Lounge, que pela posição elevada entraria naturalmente nesta lista, estará encerrado para férias no dia do eclipse.

Mais perto da antiga estação ferroviária, o Locomotiva – Bar dos Ferroviarios oferece uma versão bastante diferente do mesmo programa. A esplanada, os antigos bancos de comboio, a cerveja e os tremoços colocam o fenómeno num cenário profundamente barreirense, com os moinhos, o terminal e a memória ferroviária da cidade por perto.

A escolha entre Polis, Miguel Pais, Alburrica e Avenida da Praia depende do tipo de fim de tarde pretendido. Astronomicamente, o ponto decisivo será outro: encontrar uma linha de visão ampla para oeste. Às 19h36, quando restar apenas uma pequena parcela do Sol visível, o astro estará a cerca de dez graus do horizonte. Depois disso continuará a descer enquanto a Lua começa a afastar-se, até o eclipse terminar cinco minutos antes do pôr do sol.

Existe ainda um cuidado que vale para qualquer um destes lugares, mesmo quando o Sol parecer quase apagado. Os óculos de sol habituais ficam fora deste programa. A observação deve ser feita através de óculos próprios para eclipses ou sistemas de projeção e filtros solares adequados.

A organização portuguesa do Eclipse 2026 alerta também para o uso de telescópios sem filtro solar e recomenda equipamento desenvolvido para observação direta do fenómeno. Durante um eclipse parcial, mesmo uma pequena parte do disco solar continua suficientemente intensa para provocar lesões nos olhos.

Carregue nas imagens para ver qual o cenário em alguns dos sítios para ver o por do sol no Barreiro.

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