A N’a Quinta começou por ser uma casa de família, acolheu a fábrica de pão de queijo e, já em 2022, abriu as portas a uma família ucraniana que chegou fugida da guerra. Só depois disso foi transformada em alojamento, day use, eventos e retiros. A cronologia interessa porque explica o lugar melhor do que qualquer frase de apresentação.
O que se encontra não é uma casa criada de propósito para parecer campestre. É uma propriedade que foi mudando de função, sem perder o seu lado doméstico, e isso sente-se à chegada. Ana Borges, de 52 anos, é uma das proprietárias do espaço e contou à New in Barreiro que, quando visitou a quinta pela primeira vez, “ficou apaixonada”. Mesmo vendo uma garagem por acabar, uma casinha alentejana a pedir arranjos e uma casa T3 pronta a habitar.
A sua história também ajuda a afinar o retrato. Chegou a Portugal em 2015 para estudar, com ideia de regressar ao Brasil, mas acabou por ficar por cá, primeiro com o doutoramento, depois com os filhos pequenos e depois com a fábrica que nasceu após sete meses de testes a uma receita de pão de queijo brasileiro com queijos portugueses. O sucesso foi tal que passaram a vender uma tonelada de pães para a TAP. A quinta entrou nesse percurso quando a garagem do apartamento se tornou pequena para o crescimento do negócio.
Mas veio a pandemia e tudo ficou comprometido. O antigo espaço da fábrica é hoje um salão de eventos. A casa grande, que nos primeiros tempos servia para os fins de semana da família, acabou por se transformar num alojamento. Mas antes ainda abrigou uma família que fugia da guerra da Ucrânia. Depois desta experiência, a piscina passou a ser de água salgada. O resultado final conserva detalhes dessa origem improvisada e familiar.
Quem chega à N’a Quinta também ajuda a definir o lugar. No day use aparecem sobretudo portugueses e brasileiros, mas no verão a casa muda de escala e de mapa. Ana Borges diz que recebem muitos hóspedes do Reino Unido, Bélgica, Holanda, além de italianos e espanhóis, quase sempre atraídos pela tranquilidade da zona rural e a proximidade a Lisboa.
Quem sai do Barreiro com vontade de se esconder por dois ou três dias procura algo simples: chegar depressa ao destino. De carro, o percurso de pouco mais de 30 quilómetros demora cerca de meia hora. O caminho mais direto faz-se pela A33, liga depois à A2 e corta mais adiante para a zona de Poceirão.
A N’a Quinta recebe até oito pessoas, tem três quartos, seis camas e duas casas de banho, às quais se junta um duche exterior junto à piscina. A suíte principal inclui uma cama de casal, ar condicionado e jacuzzi. O segundo quarto tem outra cama de casal, enquanto o terceiro junta quatro camas individuais, uma solução eficaz para filhos, irmãos, primos ou grupos de amigos.
A sala é grande, a cozinha foi equipada para um uso real e a área exterior inclui uma piscina de água salgada, espreguiçadeiras, barbecue e mesa para refeições, além de um jardim cercado de árvores.
Espaço para retiros de ioga e bem-estar
A casa apresenta-se como espaço para hospedagem, eventos e retiros, com salão fechado com ar condicionado, área exterior e possibilidade de refeições incluídas. O antigo espaço da fábrica acabou por dar essa margem. Ajuda a perceber porque começaram a aparecer retiros holísticos e outras propostas semelhantes.
O formato serve bem um grupo de ioga, um encontro de bem-estar ou um fim de semana de escrita, mas também para casamentos ou outras celebrações. “A vantagem é essa: poder fazer um evento e alugar a casa para dormir”. O raciocínio vale para festas, mas encaixa igualmente neste universo de retiros em que alojamento e programa precisam de acontecer no mesmo sítio.
Em época alta, alugar o espaço ronda os 110 euros para casal, ajustado depois ao número de hóspedes. As reservas podem ser feitas no site próprio da quinta, no AirBnB ou no Booking.
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