Na tarde de sábado, dia 25 de julho, até 84 pessoas vão poder observar o Barreiro a partir de um lugar que muda por completo a escala da cidade: o convés da muleta Álvaro Velho, réplica de uma embarcação tradicional do Tejo que voltou ao rio com fins turísticos.
Estão previstos três passeios gratuitos, com partidas às 13, 14 e 15 horas, cada um com cerca de 60 minutos de duração. O percurso começa no Pontão Santos, junto ao Terminal Rodo-Ferro-Fluvial do Barreiro, e segue pelo rio Coina e pela frente ribeirinha norte.
O ponto de encontro fica no Posto de Turismo, onde os participantes devem juntar-se antes do embarque. A inscrição é obrigatória, os lugares são limitados e só podem viajar miúdos a partir dos seis anos.
Cada saída recebe 28 passageiros, uma lotação pequena que preserva o carácter da embarcação e permite percorrer o rio sem a confusão habitual das grandes atrações turísticas. Com três horários disponíveis, a programação de 25 de julho abre um máximo de 84 lugares ao longo da tarde, embora a procura habitual aconselhe a reserva com antecedência.
A Álvaro Velho já transportou 6.606 pessoas desde que começou a realizar passeios turísticos, em agosto de 2022. O número ajuda a perceber a consistência de um programa que regressa ao Tejo todos os anos, geralmente aos sábados, entre a primavera e o início do outono. A experiência venceu também os Prémios NiB 2025 na categoria de turismo, através de uma votação popular.
Parte do sucesso explica-se pela simplicidade da proposta. Durante uma hora, os passageiros trocam a margem pelo centro do rio e veem o concelho a partir de um ângulo que raramente entra na rotina. O Barreiro continua próximo, mas as distâncias, os edifícios e a linha da costa ganham outra leitura quando observados de uma embarcação movida pela relação entre vento, vela e corrente.
O passeio também recupera uma ligação antiga entre o território e o Tejo. Durante várias gerações, o rio serviu de local de trabalho, passagem e sustento para pescadores, marinheiros e famílias ligadas às atividades ribeirinhas. A muleta fazia parte desse universo e era usada na pesca dentro do estuário e em zonas próximas da costa atlântica.
A embarcação tinha uma forma muito própria, com proa arredondada e saliente, popa encurvada e um mastro inclinado para a frente. As várias velas permitiam aproveitar o vento em diferentes direções e movimentar as redes utilizadas na pesca. Uma campanha podia reunir cerca de 15 homens, num trabalho exigente que dependia do conhecimento das marés, das correntes e das mudanças do tempo.

Ao longo do século XX, estas embarcações desapareceram da atividade piscatória, mas permaneceram ligadas à identidade do Barreiro e do Seixal. A própria heráldica barreirense conserva a muleta como símbolo, lembrando a importância que o rio teve na formação económica e social do concelho.
A Álvaro Velho que hoje recebe passageiros foi concluída em 2019, no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos, na Moita. A construção procurou reproduzir a embarcação tradicional e devolvê-la ao Tejo com uma função pública, cultural e turística. Três anos depois, começou a realizar os passeios que agora fazem parte da programação regular do concelho.
O nome escolhido acrescenta outra ligação à história local. Álvaro Velho nasceu no Barreiro e integrou a armada de Vasco da Gama na viagem marítima à Índia, iniciada em 1497. Viajou na nau São Rafael e pertenceu ao pequeno grupo que acompanhou Vasco da Gama em terra durante a audiência com o Samorim de Calecute.
O marinheiro é tradicionalmente apontado como autor da “Relação da viagem de Vasco da Gama”, um dos relatos mais importantes sobre a expedição de 1497 a 1499. O documento descreve etapas da passagem pela costa africana, a chegada à Índia e os primeiros contactos estabelecidos durante a viagem.
Essa memória acompanha os passageiros sem transformar o passeio numa visita pesada ou excessivamente explicativa. A história surge na própria estrutura do barco, na vela, na madeira, no desenho do casco e no nome pintado a bordo. O resto é feito pelo rio, pelo movimento da embarcação e pela vista sobre uma margem conhecida a partir de terra.
A viagem de 25 de julho integra a programação de passeios gratuitos de 2026. As reservas podem ser feitas através do Posto de Turismo, pelo número 212 068 287, ou do Welcome Centre, através do 212 068 535. Também é possível enviar um pedido para e-mail postodeturismo@nullcm-barreiro.pt. O atendimento funciona de segunda-feira a sábado, das 9h30 às 13 horas e das 14h30 às 18 horas.
A gratuitidade tornou os passeios acessíveis a famílias, moradores e visitantes que procuram conhecer o concelho sem organizar uma viagem longa ou assumir uma despesa elevada. A duração de uma hora também encaixa numa tarde de sábado, entre um almoço no centro do Barreiro e um passeio pela zona ribeirinha.
O projeto tem procurado juntar turismo, património e divulgação do território através de uma experiência curta e ligada à paisagem local. Em edições anteriores, a embarcação recebeu iniciativas com produtos da região, incluindo provas de vinho, abrindo caminho a futuros passeios temáticos associados à gastronomia e à produção local.







