A confirmação do concerto de António Zambujo no Auditório Municipal Augusto Cabrita coloca o Barreiro na rota de um dos regressos mais aguardados da música portuguesa em 2026. O músico alentejano, que ao longo de duas décadas conseguiu a proeza de unir o fado, o cante e a MPB num estilo muito próprio, não vem apenas cumprir calendário, mas traz na bagagem o repertório de um novo ciclo criativo.
Este espetáculo serve de montra para o seu 11º disco de estúdio, intitulado “Oração ao Tempo”. O trabalho, com edição marcada para a primavera, já deu sinais de vida através de um single homónimo que é, na verdade, um encontro de titãs: um dueto gravado com Caetano Veloso. Para quem acompanha o percurso do músico, este passo não surpreende, mas consolida a sua posição como um intérprete que prefere a subtileza e o silêncio ao ruído das grandes produções.
A apresentação no Barreiro é a segunda de uma série de seis espetáculos já agendados para 2026. O primeiro realiza-se nos Açores, a 7 de fevereiro. Depois do Barreiro, Zambujo segue para o Porto, a 11 de abril, Lisboa a16 e 17 de abril e Porto Alegre, no Brasil, a 6 de maio.
António Zambujo é hoje o resultado de um caminho que começou em Beja, moldado pela cadência lenta do cante, mas que rapidamente ganhou o mundo. Desde que se estreou nos musicais de Filipe La Féria, soube manter uma integridade rara. Não é apenas um músico popular que usa o fado, ou um fadista que canta outros géneros, é um embaixador da língua que entende que a música, tal como o tempo, não precisa de ser forçada para ser eterna. Álbuns como “Rua da Emenda” ou o aclamado “Do Avesso” mostraram que não tem medo de experimentar, desde que a essência da canção de autor permaneça intocável.
Essa maturidade artística reflete-se na forma como escolhe apresentar-se hoje. Se em tempos a sua voz era vista como uma “nova promessa”, agora é uma certeza absoluta que ancora gerações. A sua discografia é um mapa de afetos que atravessa o Atlântico com a mesma naturalidade com que caminha pelas ruas de Lisboa ou pelos campos do Alentejo. Ao trazer este novo disco ao Barreiro, Zambujo oferece ao público a oportunidade de testemunhar essa evolução em tempo real.
No palco, a expectativa é de um alinhamento que saiba equilibrar o inédito com o clássico. Temas como “Pica do 7”, “Lambreta” ou “Flagrante” dificilmente ficam de fora, mas o foco vai estar na forma como as novas composições dialogam com o silêncio e com a voz.
António Zambujo atua no Auditório Municipal Augusto Cabrita no dia 21 de março, às 22 horas. O concerto integra a programação cultural do Município do Barreiro, com organização da Câmara Municipal e promoção da Sons em Trânsito. Os bilhetes custam 25€ e estão à venda no AMAC, Posto de Turismo do Barreiro, Welcome Centre, Ticketline e postos aderentes, com classificação etária para maiores de seis anos.
Já pode ouvir “Oração ao Tempo”, dueto entre António Zambujo e Caetano Veloso
António Zambujo e Caetano Veloso uniram-se no Rio de Janeiro para dar uma nova vida a “Oração ao Tempo”, o clássico de 1979 que agora renasce como o primeiro single do próximo álbum do músico português. O lançamento oficial decorreu no dia 30 de janeiro, e o tema não é apenas uma colaboração, mas a concretização de um desejo de Zambujo em gravar com aquele que considera o “melhor cantor do mundo”.
A versão conta com o toque de músicos nacionais, como André Santos e Bernardo Couto, transformando a composição original de Caetano numa ponte sonora entre Portugal e o Brasil. A canção, que reflete sobre as várias fases da existência e o percurso da vida, dá também o título ao novo disco de Zambujo, previsto para chegar na primavera. Para Caetano Veloso, a canção assume a forma de uma conversa com o percurso de vida, refletindo sobre as várias fases da existência, da infância à velhice.
Não é a primeira vez que o músico alentejano colabora com artistas brasileiros. Em 2025, editou o álbum “Prenda Minha”, em conjunto com o violinista e compositor Yamandu Costa, num projeto dedicado à reinterpretação de temas marcantes da música brasileira e portuguesa.
Carregue no vídeo e veja e ouça o dueto.

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