A deteção de mosquitos infetados com o Nilo Ocidental levou as autoridades espanholas a declarar estado de alerta em dois municípios da Andaluzia. La Puebla del Río e Coria del Río juntam-se agora à lista de localidades onde a circulação do vírus já foi confirmada este ano, aumentando a preocupação numa região que faz fronteira com Portugal.
O vírus foi identificado em duas armadilhas de monitorização de mosquitos, uma das quais faz parte do sistema de vigilância epidemiológica da província de Sevilha. Perante os resultados, o governo regional da Andaluzia decidiu ativar o estado de alerta para reforçar a vigilância e as medidas de prevenção. Antes destes casos, a presença do vírus já tinha sido confirmada nos municípios de Pulpí, Torredonjimeno, Palomares del Río e Constantina.
A situação surge numa altura em que especialistas alertam para a expansão das doenças transmitidas por mosquitos na Europa. Em junho, uma investigação da Universidade Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona, concluiu que infeções como a dengue e o vírus do Nilo Ocidental estão a alargar a sua distribuição geográfica.
Entre as principais razões apontadas estão o aumento das temperaturas provocado pelas alterações climáticas, que favorece a sobrevivência destes insetos, e a crescente circulação de pessoas e mercadorias entre países.
Portugal também não está imune a este cenário. O relatório “Countdown Europe 2026”, publicado em abril na revista científica “The Lancet”, revelou que a Área Metropolitana de Lisboa é uma das zonas europeias onde mais aumentou a probabilidade de ocorrerem surtos associados ao vírus do Nilo Ocidental. Embora o risco continue a ser relativamente baixo, os investigadores defendem que os valores atuais já justificam uma vigilância reforçada por parte das autoridades de saúde.
Esta doença transmite-se sobretudo através da picada de mosquitos infetados, que adquirem o agente infeccioso ao alimentarem-se de aves portadoras. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o vírus não passa diretamente de pessoa para pessoa através do contacto quotidiano.
Na maioria dos casos, a infeção não provoca qualquer sintoma. Estima-se que cerca de 80 por cento das pessoas infetadas nunca cheguem a saber que tiveram a doença. Quando surgem sintomas, estes costumam ser semelhantes aos de uma gripe: febre, dores de cabeça, dores musculares, fadiga, náuseas, vómitos e, por vezes, erupções na pele ou gânglios inflamados.
Apesar de ser raro, o vírus pode provocar complicações graves. Em menos de um por cento dos casos, a infeção evolui para formas neurológicas, como meningite, encefalite ou inflamação da medula espinal. Os idosos, pessoas com o sistema imunitário enfraquecido e doentes crónicos são os grupos com maior risco de desenvolver estas complicações, que podem deixar sequelas permanentes e, em alguns casos, ser fatais.
Como não existe uma vacina aprovada para uso generalizado em humanos nem um tratamento específico contra o vírus, a prevenção continua a ser a principal forma de proteção. As autoridades de saúde recomendam o uso de repelente, roupa que cubra a maior parte do corpo ao amanhecer e ao entardecer — quando os mosquitos são mais ativos —, bem como a eliminação de águas paradas, onde estes insetos se reproduzem.








