Quem tinha viagens marcadas para cruzeiros este ano, poderá estar a pensar cancelar. É que, no espaço de poucas semanas, surgiram vários casos de surtos a bordo destes navios turísticos. A 2 de maio, o mundo ficou a conhecer o caso do cruzeiro que atravessava o Atlãntico e ficou afetado pelo hantavírus, com três mortes a bordo. Uns dias depois, começou a falar-se de outra embarcação, que seguia para a República Dominicana, e cujos passageiros tinham sido diagnosticados com o norovírus. E é esta mesma infeção que está agora a preocupar França.
Esta quarta-feira, 13 de maio, as autoridades francesas confinaram mais de 1700 pessoas (1.200 passageiros, e 514 membros da tripulação) de um cruzeiro que atracou em Bordéus. A decisão foi tomada após a morte de um viajante, que pode ter contraído o norovírus. Segundo alguns meios franceses, a ideia de uma epidemia de gastroenterite a bordo levou à suspeita de poder estar relacionada com o norovírus.
O navio da Ambassador Cruise Line — que partiu das Ilhas Shetland, na costa da Escócia, a 6 de maio, e que fez escalas em Belfast, Liverpool e Brest — chegou ao porto de Bordéus, no oeste de França, esta terça-feira, 12 de maio. Além da vítima mortal, um senhor de 90 anos, cerca de 50 pessoas apresentaram sintomas de norovírus.
Este é um dos vírus mais comuns responsáveis por gastroenterites agudas, causando inflamação no estômago e nos intestinos. É altamente contagioso e espalha-se com facilidade, sobretudo em locais com grande concentração de pessoas, como escolas, hospitais, hotéis, lares e, claro, cruzeiros.
A transmissão acontece principalmente através do contacto com pessoas infetadas, do consumo de água ou alimentos contaminados, ou do toque em superfícies contaminadas seguido do contacto com a boca. Bastam pequenas quantidades do vírus para provocar infeção, o que explica a rapidez com que surgem surtos.
Os sintomas aparecem normalmente entre 12 a 48 horas após o contacto com o vírus. Os mais frequentes são náuseas, vómitos, diarreia intensa, dores abdominais e cólicas. Algumas pessoas podem também apresentar febre ligeira, dores musculares, fadiga, arrepios e mal-estar geral. Embora a infeção seja geralmente de curta duração, podendo durar entre um a três dias, pode provocar desidratação, especialmente em miúdos, idosos e pessoas mais vulneráveis.
O tratamento baseia-se sobretudo no alívio dos sintomas e na reposição de líquidos e sais minerais perdidos devido aos vómitos e à diarreia. É fundamental manter uma boa hidratação, bebendo água em pequenas quantidades ao longo do dia. Além disso, recomenda-se repouso e uma alimentação leve, evitando alimentos gordurosos, álcool e bebidas açucaradas enquanto persistirem os sintomas.







