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Morreu a modelo mais velha do mundo. Tinha 97 anos e não queria reformar-se

Daphne Selfe foi descoberta em 1941, mas desistiu para cuidar dos filhos. Voltou às passarelas com 70 anos e nunca mais parou.

A britânica Daphne Selfe, oficialmente considerada como a modelo profissional mais velha do mundo pelo Guinness World Records, em 2023, morreu aos 97 anos. A notícia foi avançada esta segunda-feira, 23 de março, na página de Instagram oficial da manequim, que se encontrava num lar de idosos.

“O seu último dia de trabalho foi em junho do ano passado, quando abrilhantou o almoço da ‘Vogue’ no Royal Ascot Ladies Day”, pode ler-se na publicação. “Que maneira de se despedir, da moda, das pessoas e dos cavalos, as suas grandes paixões. Ela vai continuar a inspirar, sempre e para sempre.”

Mãe de três filhos e avó de quatro netos, Daphne trabalhou com as maiores marcas de moda do mundo nas últimas sete décadas. Apareceu em inúmeras revistas de moda, desfilou em passarelas internacionais e tinha também uma presença ativa nas redes sociais, onde somava dezenas de milhares de seguidores.

Tinha 21 anos quando foi descoberta, em 1941. Trabalhava numa pequena loja e foi a vencedora de uma competição organizada pelo espaço, um desfile de moda que lhe valeu um prémio: aparecer na capa da publicação Reading & Berkshire Review.

 
 
 
 
 
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Numa altura em que ainda não existia um culto em torno das modelos e tampouco existiam semanas com desfiles internacionais, Selfe destacou-se na indústria até se casar, em 1954. Tentou regressar nos anos 60, mas nomes como Twiggy tinham transformado os ideais de beleza.

Uns meses depois da morte do marido, em 1997, surgiu, através de uma chamada, um convite inesperado para para desfilar na semana de moda de Londres, a mais disruptiva das capitais europeias. O evento terminou com Daphne a ser aplaudida de pé — um regresso épico. Tinha 70 anos.

Pouco tempo depois foi contactada pela Vogue e por nomes tão sonantes como o fotógrafo Nick Knight. A britânica tornou-se um rosto em desfiles de insígnias como a Dolce and Gabbana, a Olay e a Eyeko.  

Em 2015, Selfe escreveu um livro de memórias, batizado “The Way We Wore: A Life in Clothes” e, quatro anos depois,  ganhou a Medalha do Império Britânico pelo seu contributo para o mundo da moda.

Passou por várias semanas de moda.

“Percebo que o meu corpo não é exatamente o mesmo, mas esforço-me. Os miúdos acham hilariante que ainda seja modelo. Não me reformo. Quando a vida é tão interessante, por que devo desistir até que ela desista de mim?”, disse à publicação britânica “Telegraph Magazine”, em 2018. 

A página de Instagram foi criada quando tinha 85 anos e usava-a como plataforma para mostrar não só o seu trabalho, mas também a evolução do seu estilo. Com looks vibrantes ou escuros, acessórios exagerados ou complementos mais casuais, tornou-se uma referência para mulheres de várias idades.

“Ela ergueu-se com serenidade e determinação em direção à luz, como só a sensacional modelo que havia nela sabia fazer, sob o sol de uma bela tarde do equinócio da primavera”, conclui o comunicado sobre o óbito.

.Carregue na galeria para ver algumas das fotografias mais incríveis de Daphne Selfe.

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