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Fungo que é “ameaça global para a saúde” já circula em Portugal

A Candida auris é capaz de colonizar a pele e provocar infeções invasivas, sobretudo em doentes vulneráveis.

Um estudo, coordenado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), identificou os primeiros casos confirmados em Portugal de infeção por Candida auris, um fungo muito resistente a medicamentos e que é visto como um risco à saúde pública. A forma como o vírus se tem vindo a espalhar pelo mundo está a preocupar a Organização Mundial de Saúde.

A Candida auris é descrita como um fungo capaz de colonizar a pele e provocar infeções invasivas, sobretudo em doentes vulneráveis, como pessoas com patologias graves, submetidas a tratamentos mais agressivos ou prolongados com antibióticos e imunossupressores. Já foi identificado em cerca de 60 países, por vários continentes.

A transmissão entre pessoas não ocorre por via aérea, mas através do contacto direto entre doentes, profissionais de saúde ou superfícies e equipamentos contaminados. A sua capacidade de resistir a vários antifúngicos e de persistir no ambiente hospitalar torna o controlo particularmente desafiante.

A investigação da FMUP analisou oito casos, registados em 2023, os primeiros no País, num hospital da região Norte. No resumo do estudo é esclarecido que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes”, de acordo com um comunicado enviado à “Lusa”, aqui citada pela “SIC Notícias”.

Os resultados do trabalho, publicados na revista científica “Journal of Fungi”, sublinham a necessidade de reforçar a vigilância em contexto hospitalar para controlar a propagação do fungo. A coordenadora do estudo, Sofia Costa de Oliveira, docente da FMUP, destaca que “é importante perceber que este fungo é de propagação hospitalar e não comunitária”, acrescentando que “a sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada”.

A responsável defende que “é fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e Unidades Locais de Saúde, no sentido de uma investigação translacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta a desafios emergentes em saúde pública”.

Neste contexto, Sofia Costa de Oliveira sublinha que “a caracterização dos mecanismos envolvidos na resistência à terapêutica antifúngica é fundamental para investigar alternativas farmacológicas mais eficazes”. O próximo passo será explorar o impacto real das novas mutações detetadas na progressão da infeção e na resistência antimicrobiana da Candida auris, de forma a tentar controlar esta ameaça global para a saúde”.

A preocupação em torno deste fungo não é recente. Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida disseminação da Candida auris em ambiente hospitalar e apelou ao reforço das medidas de controlo.

Segundo o ECDC, entre 2013 e 2023 foram notificados mais de quatro mil casos em países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, incluindo a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega. Só em 2023, foram reportados 1.346 casos em 18 países.

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