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Este curso no Barreiro ensina a cozinhar melhor, gastar menos e desperdiçar quase nada

Durante oito meses, curso ensina bases da macrobiótica, técnicas de confeção, organização da despensa e cozinha sem desperdício.

Um pacote de lentilhas esquecido na despensa, sementes compradas por curiosidade ou cereais integrais que nunca chegam ao prato. O novo curso Nutrir e Cuidar, que arranca em outubro no Barreiro, nasceu precisamente para transformar estes ingredientes em refeições do dia a dia e mostrar que cozinhar de forma mais saudável é sobretudo uma questão de conhecimento.

Uma alimentação saudável assenta na variedade e na presença regular de hortícolas, fruta, leguminosas, frutos oleaginosos e cereais integrais. Numa síntese publicada em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde para a Europa reiterou a recomendação de consumir diariamente pelo menos 400 gramas de fruta e hortícolas e sublinhou que uma alimentação equilibrada ao longo da vida ajuda a prevenir diferentes doenças crónicas.

Levar estas recomendações para a cozinha exige conhecimentos concretos: saber escolher os cereais, demolhar e cozinhar leguminosas, combinar ingredientes e organizar a despensa de forma a reduzir o desperdício. Numa atualização publicada em janeiro de 2026, a OMS voltou a colocar os alimentos frescos ou minimamente processados na base de uma alimentação saudável, com especial destaque para cereais integrais, hortícolas, fruta, leguminosas e frutos oleaginosos. A Comissão Europeia também reúne, em páginas atualizadas em novembro e dezembro de 2025, orientações que valorizam estes grupos alimentares e a preferência, sempre que possível, por produtos locais e sazonais.

O Nível I do Curso Nutrir e Cuidar foi criado precisamente para trabalhar essa dimensão prática da alimentação. A formação é assinada por Cláudia Moita, responsável pelo projeto Maria das Ervas, e Natália Rodrigues, profissional com cerca de quatro décadas de experiência em macrobiótica, antiga professora de Cláudia e, atualmente, sua parceira em diferentes iniciativas.

“Sentimos que, deste lado da Margem Sul, existe um grande nicho de pessoas interessadas na macrobiótica e também de pessoas que desejam saber trabalhar com os alimentos. A macrobiótica é um caminho de autoconhecimento, mas também uma forma de ficarmos a conhecer um bocadinho melhor os alimentos, aquilo que eles nos trazem quando os consumimos e o que acontece quando respeitamos determinados métodos de confeção”, explica Cláudia à New in Barreiro.

A nova turma começa no início de outubro e prolonga-se até maio. O calendário combina um sábado presencial por mês, com quatro horas de formação, e uma sessão online mensal, marcada para uma quarta-feira. Qualquer pessoa pode frequentar o Nível I, independentemente da experiência anterior na cozinha ou do contacto prévio com a macrobiótica.

“Qualquer pessoa que deseje pode entrar, porque este nível dispensa conhecimentos anteriores. Vamos iniciar esta aventura a partir das bases. O curso decorre entre outubro e maio, com um sábado presencial por mês e uma quarta-feira online, e foi pensado para que os alunos tenham tempo de experimentar em casa aquilo que aprendem em cada encontro”, acrescenta.

Os primeiros módulos apresentam os princípios da macrobiótica e uma introdução aos conceitos de yin e yang, utilizados por esta corrente para interpretar as características dos alimentos, os métodos de confeção e a adaptação da cozinha às estações do ano. Cereais, sementes e frutos oleaginosos entram depois no programa através de exercícios sobre escolha, combinação e preparação.

As aulas avançam também pelos diferentes tipos de leguminosas, raízes, folhas, frutos e algas. O conteúdo inclui técnicas de corte e confeção, tempos de demolha e cozedura e formas de combinar os ingredientes em refeições completas. A intenção passa por dar utilidade a produtos que muitas vezes são comprados por curiosidade e acabam esquecidos num frasco ou numa embalagem aberta.

Um dos módulos é dedicado à organização da despensa e do frigorífico, com métodos para controlar existências, reduzir compras repetidas, aproveitar primeiro os alimentos mais perecíveis e diminuir o desperdício. A autonomia defendida pelo curso inclui, por isso, a capacidade de olhar para o que já existe em casa e construir uma refeição sem começar sempre por uma nova ida ao supermercado.

A pastelaria natural ocupa outra parte da formação. Os participantes vão preparar sobremesas e bolos com fruta, cereais, sementes, frutos oleaginosos e alternativas aos produtos mais refinados. O programa inclui ainda cozinha sazonal, preparações caseiras tradicionais, uma introdução ao herbalismo e conteúdos sobre a relação entre alimentação, órgãos, emoções, energia e equilíbrio, de acordo com a perspetiva macrobiótica.

Durante os meses de formação, o contacto entre as duas formadoras e os participantes prolonga-se para além das aulas. Cada turma recebe um grupo próprio no WhatsApp, onde são partilhadas fotografias dos pratos, receitas testadas, dúvidas e desafios lançados por Cláudia e Natália.

“Criamos um grupo de WhatsApp com cada turma e incentivamos os alunos a partilharem os seus pratos, a fazerem as receitas e a colocarem todas as dúvidas que surgem em casa. Também vamos lançando desafios. Apesar de existir uma aula presencial e outra online por mês, o acompanhamento estende-se ao longo de todo o curso”, esclarece Cláudia.

A primeira turma terminou a formação com uma experiência fora da sala. Os alunos prepararam receitas próprias e levaram-nas à Festa da Natureza, iniciativa organizada no Barreiro por Cláudia e Natália. Os pratos foram apresentados e vendidos ao público, permitindo testar quantidades, apresentação, produção e contacto com clientes.

“No final do ano, os alunos levaram receitas feitas por eles e venderam-nas na Festa da Natureza. Foi uma forma de colocarem em prática aquilo que tinham aprendido e de perceberem que este conhecimento também pode abrir outras possibilidades”, recorda.

Depois da estreia do Nível I, o Nutrir e Cuidar passa este ano a contar com uma segunda etapa. O Nível II destina-se a antigos alunos e a pessoas que tenham concluído uma formação introdutória equivalente noutra escola. O programa aprofunda matérias da macrobiótica e acrescenta conteúdos ligados ao diagnóstico oriental, à pastelaria saudável, à alimentação para desportistas, aos fermentados e à criação de um pequeno negócio na área da alimentação.

 
 
 
 
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As inscrições feitas até ao final de julho custam 650€ e a organização permite dividir o pagamento em três prestações. O programa detalhado e a ficha de inscrição são enviados por email aos interessados, que também podem pedir informações através do perfil da Maria das Ervas no Instagram.

Cláudia Moita, de 40 anos, nasceu no Barreiro e vive atualmente na Baixa da Banheira. Antes de entrar profissionalmente na cozinha, estudou Produção e Promoção do Património, especializou-se em Produção de Espetáculos e trabalhou durante cerca de uma década na Orquestra Metropolitana de Lisboa. Era responsável pela logística das atuações, das viagens, dos hotéis e da organização dos músicos em palco.

A Maria das Ervas surgiu em 2017 como uma fonte complementar de rendimento. Cláudia começou por produzir bolachas, compotas, licores e salames de alfarroba, mas foi procurando gradualmente receitas com menos produtos refinados e sem ingredientes de origem animal. A ligação aos alimentos vinha da infância passada junto dos avós, durante a qual acompanhava a preparação de compotas, conservas, purés e bolos com os produtos disponíveis em cada estação.

A formação em culinária macrobiótica levou-a a deixar a produção de espetáculos para se dedicar à cozinha e à literacia alimentar. Atualmente, dá formação em culinária vegetariana e macrobiótica, orienta workshops e sessões privadas, participa em projetos de educação alimentar e trabalha como cozinheira numa escola da floresta.

A parceria com Natália começou a consolidar-se durante a pandemia, quando Cláudia procurava aprofundar os conhecimentos e encontrou poucas formações disponíveis. Seguindo o conselho de um amigo, fez uma lista com cinco pessoas que mais a inspiravam na macrobiótica e enviou uma mensagem à primeira: Natália Rodrigues.

“Ela é basicamente a minha mestra. Aceitou dar-me aulas privadas e, quando me explicou o preço, disse que a deslocação custava zero porque morava a dois minutos de mim. Descobrimos que vivíamos na mesma rua. A partir daí, comecei a aprender diretamente com ela. Quando falta um ingrediente, vou buscá-lo a casa dela e acontece o mesmo ao contrário. Hoje trabalhamos juntas e esta relação já ultrapassou há muito a de professora e aluna.”

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