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5 amigos do Barreiro lançam clube de corrida gratuito pensado para todos

O Ascende estreia-se a 7 de junho junto ao rio e quer promover convívio, desporto e saúde mental sem competição.

Enquanto muitos jovens da mesma idade contam os dias para os exames nacionais e tentam perceber o que fazer depois do secundário, cinco amigos do Barreiro decidiram acrescentar mais um desafio ao calendário. Matilde Libório, Eduardo Branco, Bernardo Gomes, Guilherme Abraços e Duarte Paixão, todos entre os 17 e os 18 anos, estão a preparar o lançamento de um clube de corrida gratuito pensado para juntar pessoas, pôr os jovens a conviver fora de casa e mostrar que o desporto pode ser feito sem recurso a pagamentos de mensalidades, sem competição e sem a pressão de chegar primeiro.

A primeira corrida está marcada para a manhã de 7 de junho, mesmo antes dos exames. O percurso ainda está a ser afinado, mas deverá passar pela zona ribeirinha do Barreiro, entre o Parque da Cidade, os moinhos e os caminhos onde a cidade encontra o Tejo. O essencial, para já, já está definido. “Qualquer pessoa pode vir. Não é preciso inscrição, não é preciso pagar. É só aparecerem”, explica Matilde.

A ideia começou fora do Barreiro. Os amigos costumavam juntar-se a clubes de corrida em Lisboa, uma tendência que tem crescido nos últimos meses e que transformou manhãs e fins de tarde em encontros de pessoas que correm, caminham, conversam e conhecem gente nova. Num desses dias, depois de mais uma corrida, Eduardo Branco lançou a pergunta que mudou a rotina do grupo. “E se fizéssemos um clube de corrida lá no rio?” A ideia já existia, mas ainda não tinha saído do papel. A partir daí, começaram a surgir o nome, o logótipo, as camisolas, os vídeos e uma missão muito clara.

O Ascende quer ser um clube de corrida, mas os cinco amigos insistem que correr será apenas a porta de entrada. “Queremos fazer algo diferente”, diz Matilde. A ideia passa por criar encontros onde cada pessoa possa ir ao seu ritmo, seja a correr, a caminhar ou apenas a acompanhar o grupo. O objetivo é manter todos juntos durante boa parte do percurso, sem transformar a experiência numa prova. “Queríamos juntar as pessoas todas, ir a um ritmo moderado, nem muito rápido nem a andar. A ideia é o máximo de pessoas juntas, para todos conviverem.”

O clube está pensado para acolher quem tem prática de corrida, mas também para quem sente vergonha de começar, para quem acha que está fora de forma, para quem passa demasiado tempo fechado em casa e para quem precisa de companhia para criar hábitos mais saudáveis. Matilde acredita que a idade deles pode ajudar a aproximar outros jovens. “Temos essa sorte de também sermos jovens e termos muitos amigos envolvidos”, conta. Cada um vem de círculos diferentes, com escolas, interesses e grupos próprios, o que pode ajudar o convite a espalhar-se de forma mais natural.

 

A relação entre o desporto, o corpo e a adolescência também entra na conversa. Segundo Matilde, a atividade física teve um papel importante na transformação de Eduardo Branco, que em mais novo era “muito gordinho” e encontrou no desporto uma mudança que ultrapassou a parte física. “O desporto ajudou não só de forma física, mas também mental. Mudou completamente a pessoa.” A própria Matilde viveu outro tipo de relação com o corpo. Era muito magra, começou a treinar, ganhou músculo e a corrida passou a fazer parte desse processo.

Toda a comunicação do projeto será feita através do Instagram. Nesta segunda-feira, 23 de maio, o grupo publicou o primeiro vídeo no perfil e, em pouco mais de uma hora, conseguiu mais de 100 seguidores e mais de 600 interações.

É também por isso que o clube quer, mais à frente, juntar a psicologia ao calendário. Uma das ideias do grupo passa por convidar uma psicóloga que acompanhou Eduardo Branco para falar num dos encontros sobre autoestima, corpo, adolescência e saúde mental. “Queremos tentar motivar o máximo de pessoas possíveis que não se sintam confortáveis com o corpo, que não se sintam bem consigo mesmas, que saiam à rua e venham caminhar, correr e divertir-se”, explica Matilde. Aqui, a corrida surge menos como meta desportiva e mais como ponto de partida para conversas que muitos jovens acabam por ter em silêncio.

Os cinco amigos trazem competências diferentes para o projeto. Matilde está em Artes, quer seguir cinema, fotografia e realização, e viu no Ascende uma forma de treinar também o olhar criativo. Tem gravado vídeos para as redes sociais e Eduardo Branco aparece como o principal impulsionador da ideia. Bernardo Gomes faz parte do núcleo de amigos que começou a correr em conjunto. Guilherme Abraços juntou-se ao projeto pela experiência associativa, já que é presidente da associação de estudantes da Escola de Santo André. Eduardo Paixão completa a equipa. Todos participam na organização e no conceito do primeiro encontro.

O nome surgiu numa travessia de barco, depois de uma corrida em Lisboa. Matilde e Eduardo começaram a pensar em símbolos, mascotes e referências ligadas à velocidade. Chegaram a ponderar um raptor, o dinossauro associado à corrida, e daí nasceram as garras que inspiraram parte da identidade visual. Depois perceberam que precisavam de uma palavra com mais significado. “Queríamos algo significativo, algo simbólico, algo vindo do coração.” Ascende acabou por ficar. Para eles, representa algo que nasce do zero e começa a crescer.

O plano passa também por ir além da corrida tradicional. Matilde fala em parcerias, encontros com outras modalidades e experiências ligadas ao rio, como stand up paddle, canoagem e outros desportos aquáticos. O Parque da Cidade poderá também receber futuras atividades. A intenção é que o projeto tenha continuidade e aconteça mais do que uma vez por mês, para dar às pessoas várias oportunidades de participar.

 

 
 
 
 
 
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