cultura

Morreu Jorge Palma, um dos melhores de sempre. Tinha 76 anos

A família revelou que o músico sofreu uma paragem cardiorrespiratória e pediu para ser recordado através das suas canções.

Jorge Palma, uma das figuras mais importantes da história da música portuguesa, morreu esta segunda-feira, 21 de setembro, aos 76 anos. O músico sofreu uma paragem cardiorrespiratória, segundo a informação divulgada pela família e pela agência que o representava.

A notícia foi comunicada durante a noite nas redes sociais do artista. Rita Tomé, mulher de Jorge Palma, os filhos Vicente e Francisco e os agentes André Sebastião e Tiago Branco pediram que o músico seja recordado através das canções e das palavras que deixou. As informações sobre as cerimónias fúnebres serão conhecidas mais tarde.

Desaparece assim o autor de temas como “Frágil”, “Dá-me Lume”, “Deixa-me Rir”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar” ou “Encosta-te a Mim”, canções que atravessaram diferentes fases da música portuguesa e várias gerações de ouvintes.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a estudar música aos seis anos. Aos dez entrou no Conservatório de Música de Lisboa, mas a formação clássica não conseguiu prendê-lo durante muito tempo. Aos 14 anos afastou-se desse caminho e aproximou-se do pop e do rock, dando início a um percurso que acabaria por se prolongar durante mais de meio século.

Antes da carreira a solo, passou pelos Black Boys e pelo Sindicato. Com esta última banda participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. Nessa altura já trabalhava também em composição, orquestração e gravação.

O primeiro single em nome próprio, “The Nine Billion Names of God”, chegou em 1972. Pouco depois foi chamado para cumprir o serviço militar. Jorge Palma decidiu sair de Portugal e instalou-se na Dinamarca, onde continuou ligado à música.

Regressou após o 25 de Abril e, em 1975, lançou o primeiro álbum, “Com Uma Viagem na Palma da Mão”. Nas décadas seguintes foi construindo um repertório onde cabiam o rock, a canção de autor e o piano que o acompanhava desde criança. Discos como “O Lado Errado da Noite”, de 1985, “Quarto Minguante”, de 1986, e “Bairro do Amor”, de 1989, tornaram-se alguns dos títulos centrais da sua discografia.

Mesmo depois de décadas nos palcos, Jorge Palma nunca abandonou a formação musical que deixara para trás na adolescência. Durante os anos 80 regressou ao Conservatório para estudar piano e terminou o curso em 1990. Um ano depois lançou “Só”, onde revisitou ao piano várias canções que tinha gravado ao longo das duas décadas anteriores.

A carreira esteve longe de se limitar aos discos assinados em nome próprio. Nos anos 90 criou os Palma’s Gang com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau. Fez música para teatro, escreveu para outros intérpretes e juntou-se a Tim, João Gil, Rui Veloso e Vitorino nos Rio Grande.

Já no século XXI, continuou a editar novos trabalhos. “Jorge Palma”, lançado em 2001, valeu-lhe o Prémio José Afonso no ano seguinte. Seguiram-se “Norte”, em 2004, “Voo Nocturno”, em 2007, e “Com Todo o Respeito”, em 2011. O último disco de originais, “Vida”, chegou em 2023.

A família tornou-se também parte da vida em palco. Em 2025, Jorge Palma estreou “3 Palmas na Mão”, espetáculo que o juntava aos filhos Vicente e Francisco. Vicente já fazia parte há cerca de duas décadas da banda que acompanhava o pai.

Nos últimos anos, multiplicaram-se as homenagens a uma carreira iniciada ainda antes do 25 de Abril. Em 2020, quando celebrou 70 anos, recebeu a Medalha Municipal de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa e foi condecorado como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em abril deste ano recebeu o Prémio Carreira na oitava edição dos PLAY — Prémios da Música Portuguesa.

Jorge Palma dizia que cada disco correspondia a uma fase diferente da sua vida. As pessoas com quem estava, os sítios onde vivia, os livros que lia e a música que ouvia acabavam por entrar nas canções. Talvez seja também por isso que temas escritos há várias décadas continuaram a acompanhá-lo em salas cheias muito depois de terem sido editados.

Aos 76 anos, deixa uma discografia construída ao longo de mais de cinco décadas e um conjunto de canções que passou muito para lá dos discos onde nasceu. Da voz ao piano, da boémia ao rock e das bandas aos concertos a solo, Jorge Palma tornou-se um dos nomes incontornáveis da música portuguesa.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Jorge Palma (@jorgepalmaoficial)

ARTIGOS RECOMENDADOS