cultura

Milhanas vem ao Barreiro com a voz que anda a baralhar a música portuguesa

Em junho, a cantora promete encher o Auditório Municipal Augusto Cabrita de emoção e delicadeza. Os bilhetes já estão à venda.

Ainda é jovem, mas Milhanas já deixou de ser apenas um nome promissor para passar a ocupar um lugar cada vez mais sólido na música nacional. Nascida em 2001, a cantora e compositora tem vindo a construir um percurso muito próprio, com canções que preferem ficar do lado da intensidade, da introspeção e da palavra bem escolhida.

Ao contrário de artistas que entram de rompante na indústria musical, Milhanas foi fazendo o caminho com mais subtileza, e talvez por isso tenha conseguido criar uma identidade tão nítida. Quem a ouve percebe rapidamente que há ali qualquer coisa diferente. A voz tem peso, mas nunca é excessiva. As canções são íntimas, mas não se fecham sobre si próprias. E as letras têm uma densidade rara numa geração que, muitas vezes, troca profundidade por efeito imediato.

No caso de Milhanas, a escrita nasce de uma forte ligação à literatura portuguesa, descoberta ainda nos tempos de escola, e isso sente-se no modo como constrói imagens, no cuidado com as palavras e na forma como transforma emoções difíceis em canções que ficam.

Foi em 2021 que começou a chamar as atenções com “Lamentos”, o primeiro tema original. Depois chegaram “Mais que Ao Sol” e “Mundo”, que ajudaram a consolidar essa sensação de que havia ali uma artista a construir um universo próprio, sem pressa de seguir fórmulas. Em maio de 2023, editou o álbum de estreia, “De Sombra a Sombra”, um disco que a confirmou como uma das vozes mais interessantes da nova geração.

O título podia fazer adivinhar um disco pesado, mas a verdade é que Milhanas trabalha a sombra com mais nuance do que dramatismo. Há melancolia, claro, mas também clareza, inteligência e uma espécie de delicadeza firme que atravessa todo o projeto. A própria cantora já explicou que este não é um trabalho feito para glorificar a tristeza e isso nota-se. O álbum fala de conflitos interiores, da alma e das zonas menos simples da vida, mas faz isso sem cair no exagero. Em vez de afundar, abre espaço.

Um dos momentos mais comentados do disco foi “Eu de Prosa”, um tema que toca no imaginário do fado e convoca a figura de Amália Rodrigues, sem parecer um exercício de nostalgia. É um bom exemplo do que Milhanas sabe fazer melhor: pegar em referências fortes da cultura portuguesa e trazê-las para um território mais contemporâneo, mais íntimo e mais seu. Não tenta imitar ninguém, mas não corta com o que veio antes. E esse equilíbrio nem sempre é fácil de encontrar.

Agora, cantora prepara-se para subir ao palco do Auditório Municipal Augusto Cabrita para um concerto que promete juntar emoção, delicadeza e uma das vozes mais marcantes da nova música portuguesa. 

Em 2024, foi nomeada para os Globos de Ouro na categoria de Melhor Intérprete, distinção que ajudou a confirmar o que muitos já viam nela: uma artista com consistência e margem para crescer ainda mais. No final do mesmo ano, lançou “Algo Mais”, single que foi bem recebido pelo público e pelas rádios. Mais recentemente, começou o ano com dois concertos de sala cheia — um na Casa da Música, no Porto, e outro no CCB, em Lisboa —, sinais claros de que a sua base de público está cada vez mais consolidada.

Esses espetáculos marcaram o encerramento de um ciclo, acompanhado pelo tema “Apagar A Sombra”, apresentado como bonus track do disco. Agora, Milhanas segue em digressão pelo País. O concerto do Barreiro, a 13 de junho, é uma oportunidade para ver ao vivo a artista que cresce em palco. A força do seu trabalho está na interpretação e no poder de criar proximidade, mesmo numa sala cheia. Tudo aponta para uma noite mais emocional do que ruidosa, mais intensa do que exuberante.

Para quem já acompanha o seu percurso, a data é quase obrigatória. Para quem ainda só conhece um ou dois temas, pode ser a desculpa ideal para descobrir uma artista que tem sabido construir uma carreira sem atalhos nem excesso de exposição. Num panorama cada vez mais acelerado, Milhanas destaca-se por não parecer apressada. Há nela um tempo próprio, uma maturidade pouco óbvia e uma capacidade rara de fazer canções que pedem escuta verdadeira.

Com entrada a 10€, o concerto no Auditório Municipal Augusto Cabrita apresenta-se ainda como um programa acessível para uma noite de verão com mais conteúdo do que distração. O espetáculo está marcado para as 22 horas e os bilhetes estão à venda na Ticketline

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Escola dos Fuzileiros Navais 53A
    2830-149  Barreiro
  • HORÁRIO
  • De terça a domingo, das 14h às 20h

ARTIGOS RECOMENDADOS