Do Reino Unido aos Estados Unidos, passando por Malta, Países Baixos e Portugal, dez artistas passaram setembro a trabalhar dentro do mesmo antigo território industrial do Barreiro. Chegaram com percursos muito diferentes, mas encontraram um denominador comum: um parque onde paredes, restos de materiais, estruturas fabris e memórias de produção continuam a oferecer matéria-prima para quem sabe olhar duas vezes. No sábado, 26 de setembro, esse mês de trabalho abre-se finalmente ao público no PADA Studios.
Entre as 18 e as 21 horas, a PADA Studios apresenta a exposição de fim de residência e abre também os ateliers dos artistas. A entrada é gratuita e permite ver o que uma exposição convencional costuma esconder: experiências que ficaram pelo caminho, materiais testados, referências recolhidas no terreno e decisões tomadas antes de uma obra chegar à parede ou ao centro da sala.
O grupo reúne Aislinn Evans, Hannah Bang, Jolene Liam, Kate Burnett e Ros Ford, do Reino Unido; Jade Zammit, de Malta; Jelle van Kuilenburg, dos Países Baixos; Jocelyn Tsaih, dos Estados Unidos; e os portugueses Flávio Rodrigues e Pedro Roque. As práticas atravessam pintura, escultura, vídeo, desenho e outras linguagens, o que torna a mostra menos uma exposição com um tema fechado e mais um encontro entre maneiras diferentes de reagir ao mesmo lugar.
Em alguns trabalhos, essa reação começa literalmente no chão. Materiais descartados e objetos que perderam a função original foram recuperados e transformados, mudando de contexto e de significado. O Parque Industrial deixa assim de funcionar como pano de fundo e entra diretamente nas obras, seja pela matéria encontrada, pela arquitetura, pela escala dos edifícios ou pela memória industrial que continua visível em vários pontos do recinto.
Dois dos artistas chegaram à residência através de bolsas. Flávio Rodrigues foi selecionado pela Bolsa PADA e Pedro Roque pela Bolsa Odemira. Em paralelo, Camila Vale desenvolve trabalho através da Bolsa Barreiro, criada para aproximar artistas ligados ao concelho deste ambiente de residência internacional. A sua participação terá uma apresentação própria mais tarde.
Além dos dez artistas da residência, a PADA recebe também John Reno Jackson, integrado no Alumni Studio, programa destinado a antigos residentes que regressam ao espaço para continuar ou desenvolver novos trabalhos.
A curadoria desta exposição pertence a Paula Ferreira, investigadora independente, escritora e curadora nascida em São Paulo e a viver entre Brasil e Portugal. O seu trabalho parte muitas vezes da escrita para discutir as condições em que a cultura é produzida e circula. É também fundadora de Aos Cuidados, projeto que cruza exposições, cinema, publicações e conversas em torno das relações entre arte e cuidado.
Instalada no Barreiro desde 2018, a PADA ocupa um antigo espaço industrial e funciona como organização independente, sem fins lucrativos e gerida por artistas. As residências trouxeram ao concelho centenas de criadores de diferentes geografias, muitos deles convidados a percorrer o parque, conhecer a história da antiga CUF e trabalhar a partir de elementos encontrados no território.
É essa diferença de origem que torna a abertura de sábado especialmente interessante. Dez pessoas chegaram de cinco países, passaram um mês diante da mesma paisagem e acabaram por produzir dez leituras distintas do Barreiro. Durante três horas, será possível vê-las lado a lado — e entrar nos ateliers onde começaram.
Carrega na galeria e conheça os artistas da exposição.







