Abril ainda mal começou e a Cooperativa Mula já tem um dos programas mais interessantes do mês no Barreiro. Chama-se “Cinema na Mula — As portas que Abril abriu” e vai ocupar o espaço entre 14 de abril e 1 de maio com um ciclo que cruza cinema, memória política e debate sobre o país que saiu da ditadura e o que existe agora.
O ponto de partida está logo no nome. Longe de ser um cartaz montado apenas para assinalar datas no calendário, é uma programação pensada para olhar para o 25 de Abril sem o transformar numa peça de museu.
A seleção abre com “Mulheres, Terra, Revolução”, de Rita Calvário e Cecília Honório, a 14 de abril, e segue dois dias depois com “Memórias do 25 de Abril, 50 anos da Revolução dos Cravos”, de Carlos Pronzato, numa sessão que contará com a presença do realizador.
A 21 de abril, o programa junta “Paredes Pintadas da Revolução Portuguesa”, de António Campos, e “Liberdade para José Diogo”, de Luís Galvão Teles. Depois, a 28 de abril, entra “Sempre”, de Luciana Fina, também com a presença da realizadora.
O encerramento está marcado para 1 de maio, num formato mais alargado. A noite começa com um jantar comunitário, segue para “O Estado a Que Isto Chegou”, de Letícia do Carmo, e continua com “As Desventuras de Drácula Von Barreto nas Terras da Reforma Agrária”, da Célula de Cinema do PCP, e “A Lei da Terra”, do Grupo Zero.
O conjunto deixa claro o tom deste ciclo. A ideia passa por revisitar a revolução, mas também por ligá-la às pressões do presente, do trabalho à habitação, da cultura à autodeterminação.
A entrada é livre, com donativo recomendado, e as sessões decorrem na Cooperativa Mula, no Largo de Santo André, 3, no Barreiro. Para quem gosta de cinema e programação cultural que ainda arrisca ter uma posição, este é um dos cartazes a guardar deste mês.
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