Há muito que a habitação se tornou um tema central das cidades, mas pelas razões mais difíceis. Rendas altas, acesso cada vez mais limitado, bairros a mudar depressa demais e uma sensação crescente de afastamento entre quem habita um território e a forma como ele vai sendo transformado.
A convocatória “Construir em Comum — Reaprender a Habitar” surge a partir do Laboratório Popular de Habitação como uma chamada pública para receber propostas que possam ser desenvolvidas coletivamente. O centro da iniciativa passa por voltar a pensar a casa como bem comum e por recuperar a autoconstrução enquanto caminho de aproximação ao território, à vizinhança e aos saberes locais.
O convite dirige-se a todos os que queiram propor um projeto, uma técnica, um material ou um tema que ajude a trazer estas questões para o terreno. O formato também foge ao habitual. Em vez de exigir uma candidatura rígida e fechada, aceita contributos em texto, desenho, áudio ou vídeo, o que alarga o tipo de participação. Há uma vontade de pôr diferentes linguagens a circular e de dar espaço a propostas que, muitas vezes, ficam de fora quando tudo passa por formulários formatados.
A convocatória fala ainda em ativar redes locais de autoconstrução, pensar a habitação como bem comum e co-criar espaços vivos de troca de saberes. As propostas podem ser enviadas até 30 de abril por e-mail (construiremcomum@nullprotonmail.com). As selecionadas vão ser anunciadas a 11 de maio e trabalhadas em três oficinas participativas, marcadas para junho e julho.
O laboratório integra a Rede Ibérica de Laboratórios de Cultura Comunitária e Ruralidade, o que dá a esta chamada uma escala mais ampla e liga o projeto a outras experiências de base comunitária. Para quem anda a pensar formas mais concretas de habitar, construir e partilhar território, esta convocatória pode ser o pretexto certo para pôr uma proposta em circulação.









