cultura

Barreiro recebe uma tarde de cante alentejano com entrada livre

O encontro encontro “Cantares de Ontem, Vozes de Sempre” junta vários grupos na Coletividade Paivense no próximo sábado.

Quem veio do Alentejo para o Barreiro trouxe muito mais do que malas, trabalho e vontade de começar outra vida. Trouxe modos de falar, receitas, festas, memórias de aldeia, histórias de família e uma forma muito própria de cantar em conjunto.

Parte dessa herança vai voltar a ouvir-se no Alto da Paiva, numa tarde em que a saudade também pode encontrar lugar entre vizinhos, amigos e famílias que ainda reconhecem no cante uma ligação à terra de origem.

A Coletividade Paivense vai dar início às comemorações do 89.º aniversário com uma tarde dedicada aos cantares alentejanos. O encontro “Cantares de Ontem, Vozes de Sempre” reúne vários grupos convidados no sábado, 6 de junho, a partir das 17 horas, na sede da associação, na Rua Calouste Gulbenkian, no Alto da Paiva. A entrada é livre.

A escolha combina com a história do Barreiro. Durante o século XX, a cidade recebeu muitas famílias vindas de diferentes zonas do País, atraídas pelo crescimento industrial, pelas fábricas, pelos caminhos de ferro e pelo trabalho que transformou profundamente o concelho.

Entre essas pessoas estavam muitos alentejanos, que encontraram no Barreiro uma nova casa sem deixarem para trás a cultura que os acompanhava. O cante viajou com eles, guardado na memória e recuperado em encontros, festas, colectividades e momentos de convívio.

Em 2014, o cante alentejano foi inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, reconhecimento que reforçou a importância de preservar e transmitir esta tradição. O cante é uma prática vocal coletiva, feita sem instrumentos, em que as vozes se organizam de forma muito própria.

O ponto inicia a moda, o alto levanta a melodia e o coro junta-se depois, criando uma sonoridade profunda e facilmente reconhecível. As letras falam muitas vezes de trabalho, amor, saudade, natureza, fé, vida rural e passagem do tempo. 

Na Coletividade Paivense, fundada em 1937, a tarde terá também esse sentido de continuidade. As coletividades continuam a ser lugares onde a cultura popular encontra abrigo, onde as tradições ganham público e onde diferentes gerações podem reconhecer uma parte da sua história. Neste caso, os 89 anos da associação começam com vozes que atravessaram o País e continuam a juntar pessoas no Barreiro.

 

ARTIGOS RECOMENDADOS