Se houve um nome que mudou as regras do jogo na música portuguesa nos últimos anos, esse nome é Ivandro. O músico que começou por gravar covers à guitarra no quarto, num subúrbio da linha de Sintra, é hoje a voz que une gerações e que não sai do repeat nas rádios nacionais.
É precisamente com este estatuto de fenómeno que o artista luso-angolano chega ao Barreiro na noite de 24 de abril para um concerto gratuito no Parque da Cidade, que serve de banda sonora às comemorações da Revolução.
Joaquim Paulo, a identidade real por detrás do nome artístico, é o exemplo perfeito de que o talento orgânico acaba sempre por furar a bolha. Em 2015, tentou a sorte no programa “Ídolos”, mas a televisão não estava preparada para o que tinha para dar.
Onde outros teriam desistido, Ivandro refugiou-se nos estúdios caseiros de amigos do hip hop, como Bispo ou os Instinto 26, onde aprendeu a produzir e a misturar. Foi aí, longe dos holofotes, que moldou a sonoridade que o mundo viria a conhecer: um R&B contemporâneo e melódico, que bebe tanto da alma de Angola, como das batidas urbanas de Lisboa.
O ponto de ebulição aconteceu em 2022, quando se tornou o artista português mais ouvido no Spotify em Portugal, superando nomes históricos. Mas Ivandro não se deixou ficar pelo brilho dos números.
Se em 2024, o álbum “Trovador” deu a conhecer um músico introspectivo e focado nas suas vivências, o lançamento de “Amanheceu”, no verão de 2025, marcou a sua consolidação. Este último trabalho trouxe uma maturidade diferente, visível em colaborações de peso, como a que fez com a brasileira Ludmilla no tema “Perfume“.
O concerto no Parque da Cidade é uma oportunidade rara de ver ao vivo, sem custos, o músico que redefiniu a pop nacional, num ambiente de celebração que casa perfeitamente com a mensagem de liberdade e superação que a sua carreira representa.

LET'S ROCK






