cultura

Barreiro em Curtas regressa para transformar jovens em cineastas

O evento desafia alunos do ensino secundário a criar curtas metragens, desde a animação à composição de bandas sonoras originais.

Em 2026, o Barreiro volta a transformar-se num laboratório de cinema com o regresso do Barreiro em Curtas, o projeto pedagógico que desafia alunos do ensino secundário a explorar todas as etapas da criação cinematográfica, do guião à pós-produção, passando por técnicas de animação e, pela primeira vez, pela criação de bandas sonoras originais. 

O projeto, organizado pelo Agrupamento de Escolas de Casquilhos e pelo Cine Clube do Barreiro em articulação com os agrupamentos escolares do concelho, a Academia de Jazz Os Franceses e a Universidade Sénior do Barreiro, convida os jovens a olhar para a cidade com outros olhos.

As fábricas, o rio, os bairros e as memórias mais antigas deixam de ser apenas paisagem para se tornarem protagonistas de curtas-metragens capazes de revelar a identidade e a história do território.

Depois do sucesso da primeira edição, em 2026 há três caminhos criativos para explorar. No documentário live action, os alunos aprendem a captar a realidade e a construir narrativas visuais com Mário Ventura, realizador e investigador.

A componente de animação, orientada por Sara Naves, leva os estudantes a cruzar técnicas digitais e artesanais do 2D ao stop motion, passando por areia, pintura e recorte, explorando o movimento, o ritmo e a expressão visual de cada história.

A grande novidade é a vertente de bandas sonoras originais, coordenada por João Dias Ferreira. Aqui, a música deixa de ser mero acompanhamento e transforma-se em protagonista narrativa, ensinando os alunos a compor, gravar e misturar sons e melodias que dão vida às imagens.

As aulas decorrem na Academia de Jazz Os Franceses, estimulando o contacto direto com músicos em formação, as técnicas e os instrumentos. 

Além das oficinas, os alunos terão visitas à Cinemateca Portuguesa, pesquisas em arquivos locais, como o Museu Industrial do Barreiro e o Espaço Memória, e exploração dos espaços naturais e industriais do concelho, da Mata da Machada às margens do Tejo e às antigas fábricas da CUF.

O projeto estende-se ainda para lá das fronteiras do concelho através da ligação ao festival Curtas na Margem, reunindo escolas de Almada, Lisboa, Montijo e Seixal sob o tema “Este rio que nos toca”. É o Barreiro a dialogar com outras margens e a fortalecer uma rede educativa e cultural intermunicipal, que coloca os jovens no centro da criação cinematográfica.

O júri de 2026 será composto por Elsa Mendes, coordenadora do Plano Nacional de Cinema, Rui Pires, realizador e montador vencedor do DOC Lisboa 2024, e Augusto Cabrita, investigador e neto do fotógrafo e cineasta barreirense com o mesmo nome.

Vão ser atribuídos os prémios de Melhor Curta de Documentário Live Action, Melhor Curta de Documentário de Animação e Melhor Banda Sonora, embora o júri possa não atribuir prémios, caso considere que algum trabalho não atinge o nível exigido.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas de forma individual ou em equipa, sempre com acompanhamento docente. O regulamento e os formulários estão disponíveis no site oficial do projeto.

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