Há precisamente 222 anos, na véspera de Natal, o povo de uma aldeia isolada nos Pirenéus espanhóis vivia um pesadelo. Enquanto muitos celebravam a altura mais mágica do ano ao redor do mundo, a povoação era engolida por uma avalanche de neve que resultou na morte de 17 dos seus 88 habitantes.
Os sobreviventes, sem terem para onde ir, tentaram recuperar o que conseguiram e construíram, no mesmo local, uma nova aldeia — desta vez, a uma altitude de 1.250 metros, supostamente numa zona mais segura.
“Havia a zona original, que estava completamente destruída. Depois da tragédia, os residentes foram ver efetivamente o que é que restava, quem é que tinha morrido e tentaram recuperá-la um bocadinho mais abaixo”, começa por contar à NiT Rita Constantino, uma guia turística de 32 anos que também se dedica ao urbex (exploração urbana) e que esteve recentemente na região.
No entanto, ao longo dos anos, a falta de estradas, as condições do terreno, o clima rigoroso de inverno e as disputas entre os habitantes sobre a modernização da localidade tornaram-se num desafio constante e levaram-na ao abandono gradual. Em 1981, já ninguém vivia ali.
“A aldeia ficava muito longe das necessidades básicas, como supermercados, e as pessoas acabaram por irem embora aos poucos”, revela Rita, que chegou a acampar uma noite, com dois amigos, a poucos metros da região.
Durante a passagem na aldeia, Rita conheceu a historia de dois irmãos, donos de uma das casas degradadas, e a de um artesão, a única pessoa que vive ali, quase como um guardião do terreno. “Os irmãos disseram-nos que já não vivem ali, mas vão lá de tempos em tempos para limpar o terreno e tentar preservar aquilo que ainda resta da antiga casa deles. Foi uma coincidência encontrá-los”, recorda.
@aritinhamaisfofa POV: ENCONTREI UMA ALDEIA ABANDONADA NOS PIRENÉUS! 😱😶🌫️👻🏚️🔦 #foryou #fyp #fy #abandoned #urbex ♬ som original – Track B
O artesão, por sua vez, vive na região desde 2020. O homem, na casa dos 50, disse a Rita que recuperou uma das casas abandonadas e desde então, é ali que tem vivido, sem ninguém por perto. “Ele disse-me que vai fazendo peças de madeira e vende-as noutras localidades. Fica ali mesmo só para preservar a aldeia, ou tentar que ela não seja destruída.”
Foi esta também uma das razões pela qual Rita decidiu pernoitar nos arredores: para preservar a privacidade do artesão. “Ele tenta sempre cuidar dos terrenos, tal e qual como os dois irmãos”, partilha. “Ele não sabia o que é que havia de fazer da vida e quando descobriu a aldeia, foi uma forma que arranjou também de recomeçar. O engraçado é que ele recomeçou num lugar que está destruído e, se formos pensar bem, ele acaba por ser a fonte de esperança.”
Além da casa recuperada pelo artesão, todas as outras estão destruídas. E embora seja hoje uma atração para muitos, a verdade é que a localidade não recebe muitos visitantes ao longo do ano. “A sensação de silêncio é muito presente”, sublinha a guia turística. “Encontrei alguns animais que por lá andavam, como gatos, e estive a imaginar um pouco como é que seria aquela aldeia.”
Um dos pontos altos eram também as vistas que tinha, com montanhas sem fim e pequenos cursos de água cristalina: “É uma atmosfera um pouco desconfortável porque sabemos que está desabitada por causa de uma catástrofe”.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da aldeia abandonada há 44 anos.

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