Uma peça de cerâmica pode atravessar horas de trabalho e duas idas ao forno para acabar afastada por causa de uma mancha no vidrado, uma ligeira deformação ou uma cor que ficou longe da que a autora tinha imaginado. Continua inteira, pode continuar a servir para beber café, guardar fruta ou levar flores, mas dificilmente chega à prateleira onde ficam os trabalhos vendidos pelo preço habitual.
No Estúdio Rita Zorro, no Barreiro, estas peças foram-se acumulando até darem origem a uma feira com um nome bastante adequado ao que se encontra por lá: Feira da Bagatela. A próxima realiza-se na sexta-feira, 10 de outubro, entre as 15 e as 19 horas, e reúne trabalhos de Rita Zorro, das ceramistas residentes e das alunas do estúdio. Tudo custa até 10€.
Algumas peças têm pequenos defeitos perceptíveis, outras apresentam falhas que quase passam despercebidas e também entram trabalhos que as autoras já deixaram de querer manter. Em vez de destruir cerâmica perfeitamente utilizável para libertar espaço no atelier, a feira permite que saia dali por valores bastante inferiores aos habituais.
Desta vez, a ceramista foi ainda mais longe na arrumação. Algumas cerâmicas ficaram esquecidas no estúdio e terão um canto próprio, onde poderão ser levadas mediante um donativo livre. O dinheiro recolhido será entregue ao Instituto dos Ferroviários, IPSS do Barreiro.
Entretanto, o espaço cresceu para lá da produção da própria ceramista. Recebe alunos, promove workshops e acolhe residentes que ali desenvolvem trabalho autónomo. Só em setembro deste ano foram propostas seis experiências diferentes, incluindo iniciação à cerâmica, sessões de roda de oleiro e um intensivo privado de oito horas.
Esse percurso valeu ao projeto o voto dos leitores da New in Barreiro nos Prémios NiB de 2025, em que o Estúdio Rita Zorro foi escolhido como Melhor Loja/Marca do concelho.
Na Feira da Bagatela, cada trabalho disponível é aquele que existe e a escolha depende do que tiver sobrevivido às fornadas, às aulas e às arrumações do estúdio.







