Num antigo quarto da casa dos pais, no coração do Barreiro, nasce diariamente pelo menos uma peça de afeto. Transformado no ateliê da marca Mentha Lisboa, é ali que bijuteria como pulseiras, colares e amuletos personalizados ganham vida, criados à mão por uma equipa familiar de duas gerações.
O que começou há quatro anos como um passatempo para fazer almofadas de praia para amigas transformou-se num negócio de bijuteria artesanal 100 por cento online que, há menos de uma semana, começou a cruzar fronteiras, enviando as peças “made in 2830” para Madrid e Santiago de Compostela.
O cérebro por detrás deste projeto familiar é Vanessa, natural do Barreiro, atualmente a residir em Lisboa “por motivos de trabalho”. Apesar da mudança, o Barreiro mantém-se como berço e coração da marca. “Os meus pais continuam a viver aqui, onde a marca nasceu”, explica. Aos 29 anos, Vanessa é a estratega, a criativa de ideias e especialista em marketing. A mãe, Maria Hipólito, é a artesã que põe “as mãos na massa” e transforma cada ideia em realidade.
É justamente deste espírito criativo e familiar que nascem as novas ideias da Mentha Lisboa. Com a chegada do Natal, Vanessa e a mãe preparam caixas com pequenas lembranças – umas meias, um amuleto de gingerbread personalizado e uma forma de bolacha – pensadas para serem presentes prontos a oferecer.
A inspiração surgiu, novamente, “durante um scroll pelo Instagram”, quando Vanessa viu uma embalagem que a fez experimentar e transformar essa ideia em algo próprio, mantendo a marca fiel à sua essência artesanal e pessoal.
Das almofadas de praia aos amuletos da sorte
A história leva-nos à origem da marca, uma derivação de Hortelã-Pimenta. Tudo começou com outra ideia simples, quase um desafio entre mãe e filha. “Queria criar algo divertido. Mostrei à minha mãe e disse: ‘Olha esta ideia super gira’”. A resposta foi imediata e cheia de confiança: “Nós conseguimos fazer isso”. Foi ali que surgiu a primeira faísca. “Se uma ideia tão pequena podia ganhar forma, quem sabe o que mais poderiam criar juntas?”
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A primeira experiência foram almofadas de praia, feitas para amigas. Cada peça era diferente, cada encomenda um teste. As reações foram tão boas que Vanessa percebeu que isto podia ser mais do que um passatempo. Entre burocracias e registos de marca, nasceu o Instagram, depois o site e assim a Mentha Lisboa.
Com o tempo, e face à sazonalidade das almofadas, o foco mudou. Hoje, o coração da marca são os amuletos e a bijuteria personalizada em aço inoxidável. A aposta revelou-se um sucesso. A ideia dos amuletos surgiu no ano passado: presentes de baixo custo, mas carregados de significado, perfeitos para amigo secreto.
“Tudo é personalizado e é isso que nos distingue”, diz Vanessa. Pulseiras com iniciais, amuletos com símbolos ou personagens da Disney, todos acompanham um cartão que pode ser genérico ou totalmente adaptado. Cada peça é única, feita para mostrar cuidado e atenção.
“Muitas empresas usaram a ideia nos jantares de Natal, adaptando os textos ou incluindo o logótipo da marca”, conta Vanessa. Cada encomenda transmite uma mensagem, um gesto que diz: conheço-te, pensei em ti. E é precisamente aí que reside a alma da Mentha Lisboa.
Hobby familiar, 100% barreirense e sustentável
Um dos marcos mais emocionantes da marca foi a recente entrada no mercado espanhol. A decisão não surgiu por acaso: a proximidade geográfica, a facilidade de envios dentro da União Europeia e, acima de tudo, a experiência e o instinto de Vanessa falaram mais alto. “Tenho muitas amigas que emigraram para Espanha e contaram-me que havia potencial para isto.”
Poucos dias após o anúncio nas redes sociais com anúncios em espanhol, chegaram os primeiros resultados: uma encomenda de 15 amuletos, seguida por mais sete ou oito pedidos. Pela primeira vez, as peças de bijuteria viajaram para Madrid e Santiago de Compostela, marcando o início da internacionalização da marca.
Antes disso, já tinham chegado encomendas a França, sobretudo de portugueses emigrantes. Foi assim que nasceu a ideia de levar a Mentha Lisboa a toda a Europa.
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No meio deste crescimento, a marca mantém-se paralela às carreiras de mãe e filha. Vanessa é team leader numa grande empresa de retalho, enquanto Maria trabalha com crianças. O tempo que sobra é preenchido com a Mentha Lisboa, mas essa sobreposição de rotinas revelou-se uma fonte de energia. “O que nos motiva é fazermos juntas algo que gostamos, que nos permite desligar do resto”, explica Vanessa.
O espírito familiar vai além de mãe e filha. O pai acabou por se envolver e o namorado de Vanessa juntou-se ao ritmo criativo, trazendo mais mãos e boa disposição. Mesmo depois de Vanessa ter saído de casa, a marca mantém-se como um elo forte entre todos. “É algo que temos em comum, uma responsabilidade que continuamos a partilhar e que nos une”.
Apesar do sucesso, Vanessa não pretende, a curto prazo, transformar a Mentha Lisboa na sua ocupação principal. “Agora estou focada na minha carreira. A marca continua a ser um hobby que consigo conciliar com o meu trabalho”, explica. A chave do sucesso está na coragem de arriscar. “Ter uma rede de apoio e vontade de fazer acontecer faz toda a diferença”, explica Vanessa. Nem todas as ideias resultam, mas cada tentativa é uma aprendizagem.
O prazer de criar, embalar e enviar peça a peça mantém a marca viva. “Fazer algo de que gosto dá-me energia e motivação.” No antigo quarto de Vanessa, cada pulseira, cada amuleto embalado e cada etiqueta escrita à mão é mais do que um produto. É a prova de que é possível criar uma marca com sabor a família e a casa.
Carregue na galeria e veja algumas das peças da Mentha Lisboa, a poucos dias do arranque da contagem decrescente para o Natal.

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