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Esta casa centenária em frente ao Jardim dos Franceses está à venda por meio milhão

A moradia dos anos 1930 passou quase um século ligada à mesma família. Está a ser recuperada no Barreiro Velho.

O consultor imobiliário Paulo Patinha conhecia aquela casa centenária antes de a ter em carteira. Passava por ali, em frente ao Jardim dos Franceses, ao lado da escola de jazz, numa zona onde o Barreiro antigo ainda aparece nas fachadas, nas portas altas e no caminho curto até ao rio.

A moradia, construída nos anos 1930, pertenceu à mesma família durante quase um século. Acabou por ficar vazia nos últimos anos e podia ter entrado no mercado depois de uma obra igual a tantas outras, com tudo arrancado por dentro e uma aparência nova sem memória. Foi o próprio consultor imobiliário que, quando vendeu o imóvel aos atuais proprietários, pediu outro caminho. “Mantenha essa casa como está.”

A moradia T3 está agora em fase final de remodelação e à venda por 549 mil euros. A obra deverá estar concluída dentro de mês e meio a dois meses, mas as visitas já podem ser marcadas. O projeto foi traçado por uma arquiteta e segue a linha combinada desde o início com os novos donos. A casa está a receber canalização, eletricidade, cozinha equipada e climatização em todas as divisões, mas a frente antiga, as portas em madeira, os tetos altos e grande parte do pavimento original continuam a fazer parte da história.

Paulo Patinha tinha vendido o imóvel há cerca de um ano e sabia o que podia acontecer a uma moradia antiga no Barreiro Velho. Muitas entram em obra e saem mais fáceis de vender, mas também mais parecidas com todas as outras. “Era muito mais fácil tirar as portas que cá estão, o chão e comprar novo”, admite. O caminho escolhido deu mais trabalho, custou mais tempo e obrigou a recuperar o que ainda podia ser salvo.

A fachada foi mantida. Alguns elementos tiveram de ser refeitos, mas a traça original continua lá. No interior, as portas altas em madeira, com claraboia por cima, vão ser restauradas. O chão de madeira de origem será recuperado em quase toda a casa, com exceção de uma parte da sala, que já estava demasiado degradada. O telhado já tinha sido refeito pela família anterior há cerca de seis ou sete anos e, nesta intervenção, passou por limpeza, revisão e pequenos acertos.

“Esta casa é icónica, é diferente”, diz Paulo. A palavra vem de quem conhece a zona e se habituou a vê-la de fora. A moradia fica num dos pontos mais antigos do Barreiro, perto da área histórica, da frente ribeirinha e de uma sequência de ruas que têm vindo a ganhar novas obras, novos moradores e outro interesse imobiliário. O Jardim dos Franceses fica à porta. A Escola de Jazz fica ao lado. Lisboa aparece a poucos passos, do outro lado do Tejo, quando se chega à zona ribeirinha.

A casa tem 110 metros quadrados de área útil e três quartos, incluindo uma suíte com cerca de 12 metros quadrados. As divisões mantêm proporções de outra época, menos amplas do que as de muitas construções recentes, mas com tetos altos e portas que alongam a casa. Nas traseiras, o logradouro de 15 metros quadrados vai receber uma churrasqueira. A sala abre para esse espaço através de uma vidraça com cerca de três a quatro metros, que puxa luz para dentro e aproxima a zona social do exterior.

A cave também ficou. Acompanha a área da moradia, embora a parte com altura confortável para uso regular tenha cerca de 20 metros quadrados. Pode funcionar como arrumação, adega ou zona de lazer. O anúncio fala numa área multifuncional. Na prática, é uma dessas divisões que aparecem nas casas antigas e quase nunca entram numa planta nova com a mesma naturalidade.

A cozinha será entregue equipada com frigorífico, fogão, forno, micro ondas e exaustor. Os acabamentos seguem uma linha que combina materiais atuais com referências vintage, incluindo azulejos alinhados com as imagens de projeto. Nesta fase, a margem para alterações já é reduzida. “Foi traçado tudo para ser daquela maneira”, explica Paulo, que estava na obra com o proprietário e a arquiteta quando falou à NiB.

O imóvel terá estado habitado até há cerca de sete ou oito anos. Antes disso, passou décadas ligado à mesma família. “Conheço os antigos proprietários, mas prefiro não dar informações”, explica Paulo. A nova obra coloca a moradia noutro ciclo, num Barreiro Velho onde a requalificação urbana, a proximidade ao rio e a pressão por casas com identidade têm mudado o modo como se olha para estes imóveis. A casa fica perto de comércio local, restauração, farmácias, escolas, tribunal, estação ferroviária, transportes públicos e da ligação fluvial da Soflusa, que permite chegar a Lisboa em cerca de 20 minutos.

A recuperação permite que continue a ser reconhecida por fora, mesmo depois de ganhar outro conforto por dentro. Portas restauradas, madeira recuperada, cave, logradouro, cozinha nova, climatização e fachada antiga ficam agora reunidos numa casa que tenta atravessar a modernização do Barreiro, sem perder a ligação ao lugar.

A venda está a cargo dos consultores Paulo Patinha e Paula Pereira, no site Quality Real Estate. Também já é possível agendar visitas ao imóvel, mesmo ainda em obras.

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