Ir a Roma e não ver o Papa é uma falha na check list dos viajantes que visitam a cidade italiana e passam pelo Vaticano. De lá, trazem, habitualmente, algumas lembranças como ímanes de frigoríficos ou uma figura ligada à religião católica. Há, no entanto, outro artigo que faz sucesso entre turistas (e italianos) e que se tornou emblemático, principalmente no início de um novo ano. Falamos do “Calendario Romano”, mais conhecido na Internet como o “Hot Priests Calendar”.
A lógica é simples: 12 padres fotogénicos, num objeto que mistura devoção e uma certa estética vintage — um calendário que se tornou um souvenir icónico de Roma e que se vende nos quiosques e lojas de lembranças pela cidade ou também online.
A publicação existe há mais de duas décadas e, em 2026, continua a ser um fenómeno. Cada mês é protagonizado por um homem de batina, fotografado a preto e branco, muitas vezes com um colarinho clerical ou o tradicional cappello romano, em cenários ligados à icnografia religiosa.
O projeto foi criado pelo fotógrafo italiano Piero Pazzi, hoje com cerca de 70 anos, que começou a publicar o calendário no início dos anos 2000 como um “guia visual” para turistas interessados em Roma e no Vaticano.
Em entrevista ao “The Guardian”, em 2022, o fotógrafo revelou que as fotografias foram sendo feitas sobretudo durante viagens a Roma e Sevilha, especialmente na época da Páscoa, quando as procissões enchem as ruas de acólitos e membros de confrarias religiosas — muitos dos quais acabam por ser os modelos das imagens.
Nem todos eles são padres (nem italianos): alguns são simplesmente figurantes das celebrações religiosas, e houve até um caso em que um agente imobiliário espanhol foi confundido com sacerdote e acabou eternizado como o “Padre de Março”.
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Segundo Pazzi, as suas intenções são “puras e honestas”: o calendário pretende promover Roma e o seu símbolo mais visível, o clero católico. A publicação inclui também curiosidades e pequenas informações sobre o Vaticano, pensadas para turistas. Apesar de nunca ter tido ligação oficial ao Vaticano, o calendário tornou-se um objeto de culto e chegou a vender cerca de 75 mil cópias por ano no seu auge, mantendo-se popular mesmo durante a pandemia — ao ponto de algumas edições esgotarem e aparecerem inflacionadas em plataformas como o eBay.
O dinheiro das vendas, explicou o fotógrafo na mesma entrevista ao “The Guardian”, é usado para apoiar a SNAP, uma organização que apoia vítimas de abuso por parte de autoridades religiosas e institucionais, um detalhe que acrescenta uma camada inesperada de contexto ao fenómeno.
Hoje, o “Calendario Romano” é visto como uma curiosidade cultural e, para muitos turistas, um souvenir obrigatório. Por isso, já sabe: na próxima viagem a Roma, pode trocar a miniatura do Coliseu por um padre em batina a posar para a câmara.
Conheça também o Calendário Solidário dos Bombeiros de Lisboa, o Calendário dos Bombeiros da Austrália ou o Calendário com Bombeiras da Nova Zelândia.


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