Durante a era vitoriana, os designs dos broches (ou alfinetes de peito, se preferir) tinham um grande significado. Mais do que o aspeto funcional de prender peças de roupa, tornaram-se um símbolo de status social que denotava períodos de luto, afeto e amizade. Geralmente, eram acentuados com motivos de ônix, nós, corações e mãos.
Só no século XX, porém, é que se tornou um verdadeiro sinónimo de estilo. As culpadas foram as duas criativas do costume, Coco Chanel e Elsa Schiaparelli, que na altura lançaram várias tendências. Uma mais clássica, outra mais surrealista, as eternas rivais introduziram-no como um manifesto que inspirou artistas e contraculturas.
Ao que parece, este toque vintage é o novo acessório favorito no mundo da moda e, se depender das marcas, vai estar por toda a parte. As pistas começaram a ser dadas nas passarelas, mas rapidamente chegou ao street style com todo o seu potencial que vai muito além da funcionalidade.
O acessório “está a aparecer na interseção de algumas tendências: o retorno das influências vintage e tradicionais, uma mudança para um estilo mais intencional, um verdadeiro investimento, e uma mentalidade de estilo mais lúdica, onde um único detalhe pode mudar todo o look”, diretora administrativa do Pinterest, Caroline Orange Northey, à “Harper’s Bazaar”.
No desfile outono/inverno 2026 de Giorgio Armani, no último dia da Semana da Moda de Milão, os broches foram uma das partes mais importantes. Do primeiro ao look final, havia vários símbolos decorativos que faziam referência ao signo de Silvana Armani — a herdeira da Armani, que substituiu o tio, Giorgio Armani, falecido em 2025 — bem como ao do próprio fundador.

E não é o único caso. Estes adornos têm sido uma das presenças mais proeminentes nas passarelas, acentuando looks de marcas como Ralph Lauren e os seus blazers, Conner Ives e as lapelas de smokings, passando por Simone Rocha, Oscar Ouyang ou Tory Burch, cada um à sua maneira.
Quem também o confirmou foi Margot Robbie, que optou por usar duas propostas Boucheron na estreia do filme “O Monte dos Vendavais”, em Londres. Completou o seu vestido Dilara Findikogklu com umm Walkyrie em ouro amarelo, com granada vermelha e um Assyrian Lion com cabeça de leão, da década de 1920, na gargantilha.
“Ao contrário da maioria das outras peças de joalharia, pode ter várias funções e ser usado em quase qualquer parte do corpo”, explica a fundadora da marca joalharia VickiSarge, Louis Circe, à “Vogue Britânica”. Pode colocá-lo no peito, mas também junto ao pescoço, na cintura ou até nos punhos das mangas.
Talvez por isso tenha sido lançada a loucura, com os alfinetes de peito a ocuparem uma posição de destaque nas previsões de tendências do Pinterest para 2026. As pesquisas por “joias de família” aumentaram cerca de 45 por cento, enquanto “acessórios maximalistas” e “estética de broches” subiram 105 e 105 por cento nas redes sociais, respetivamente.

“Estamos a assistir a um interesse crescente por parte das mulheres, particularmente em torno de peças vintage ou inspiradas em heranças de família, com pesquisas focadas em como combiná-las”, confirma a diretora administrativa do Pinterest.
Outra das vantagens é que podem ser adaptados à nossa personalidade. Tal como a febre dos bag charms (que ainda não desapareceu totalmente, acrescente-se), podem ser apontamentos mais divertidos para quem não resiste a um pouco de humor no seu dia a dia ou algo mais elegante e sóbrio, como o que estão adornados com pérolas ou strass.
Enquanto os maximalistas podem usar vários estilos misturados, criando uma justaposição de broches em casacos, camisas e bonés, há quem também tenha argumentos a favor de optar apenas por uma opção sozinha, mas impactante. A escolha será sempre individual.
Carregue na galeria para ver algumas opções que a NiT encontrou à venda e selecionou.







