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A melhor loja do Barreiro ensina cerâmica com tempo e mãos no barro

Os leitores da New in Barreiro distinguiram o Estúdio Rita Zorro com o Prémio NiB 2025. As aulas de cerâmica decorrem no centro da cidade.

No Estúdio Rita Zorro, o tempo mede-se em fornadas e semanas repetidas. Foi ali, nesse ritmo, que o espaço venceu o Prémio NiB 2025, na categoria Melhor Loja, Marca de Moda ou Beleza, através de uma votação dos leitores da New in Barreiro.

A distinção resulta de um processo que cruzou acompanhamento editorial e participação pública. Depois de uma pré-seleção da redação, os projetos finalistas foram a votos entre 10 e 25 de dezembro. O resultado reflete um reconhecimento partilhado: o olhar de quem acompanha a cidade ao longo do ano e a decisão de quem a vive no dia a dia.

Em conversa com a New in Barreiro, Rita Sampaio confessou ter ficado muito feliz e surpreendida com a distinção, sobretudo por ter vindo de uma votação popular. “Não trabalhamos a pensar em prémios, mas é um importante incentivo ao trabalho”, afirmou. A reação encaixa no modo como o estúdio funciona: o reconhecimento chega, o quotidiano mantém-se.

Um estúdio onde o tempo conta

O Estúdio Rita Zorro fica no centro do Barreiro e dedica-se à cerâmica. Ali acontecem aulas regulares, workshops de iniciação e trabalho contínuo de ceramistas residentes. Não é um espaço de passagem rápida. Quem entra encontra mesas ocupadas, peças em diferentes fases e um ambiente onde o tempo faz parte do que se aprende. Há quem chegue por curiosidade e quem acabe por integrar a rotina semanal.

As aulas decorrem em grupos pequenos, com acompanhamento próximo. Cada pessoa trabalha no seu próprio projeto, ao seu ritmo. Os workshops de iniciação realizam-se ao domingo, duram três horas e estão limitados a um máximo de seis participantes. Durante a sessão, experimentam-se três técnicas: trabalho na mesa, modelação à mão e roda de oleiro. Cada workshop tem o valor de 35€. Existem também workshops privados, pensados para grupos até oito pessoas, mediante marcação.

As aulas regulares têm a duração de duas horas e meia e acontecem uma vez por semana. Há turmas à terça-feira, das 19 horas às 21h30, à quarta-feira, das 18h30 às 21 horas, e à quinta-feira, das 18 horas às 20h30. Cada uma tem um máximo de oito pessoas e a mensalidade é de 80€. As turmas dos três primeiros meses do ano já se encontram preenchidas. Em fevereiro, abrem as vagas para o segundo trimestre.

Além das aulas e dos workshops, o estúdio acolhe ceramistas residentes, que utilizam o espaço para desenvolver trabalho próprio. As peças que ocupam as prateleiras não seguem uma estética única, nem obedecem a coleções. Resultam de diferentes percursos, tempos e níveis de experiência, ligados pelo uso diário do espaço.

Trabalhar perto de casa, com as mãos no barro

Em alguns momentos, o estúdio abre-se a encontros mais amplos. Feiras, mercados e dias de mesa posta passaram a fazer parte da sua vida recente. Nessas ocasiões, as peças deixam de estar apenas em exposição e passam a ser usadas ali mesmo. Pratos, taças, canecas e bowls circulam entre pessoas, comida e conversa. “É um lugar onde as pessoas chegam e se afastam da correria do dia a dia”, disse Rita. A pausa existe, mas não apaga o esforço. “O trabalho aqui também é cansativo.”

Quem está por trás do projeto é Rita Sampaio, de 30 anos. O nome Zorro, que assina o estúdio, vem de uma história familiar antiga e foi assumido como nome artístico. Rita formou-se em Design Industrial na Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha, onde teve contacto direto com oficinas e diferentes materiais. Foi aí que a cerâmica ganhou peso no seu percurso.

Depois da licenciatura, aprofundou conhecimentos no Ar.Co Almada, num curso ligado às artes e à escultura. Mais tarde, trabalhou durante dois anos no estúdio de uma ceramista francesa, em Lisboa. Nesse período, começou a dar aulas e a lidar com o quotidiano de um espaço em funcionamento contínuo, entre produção, ensino e organização do trabalho.

Em setembro de 2021, decidiu abrir o próprio estúdio no Barreiro. Trabalhar na cidade onde vive sempre fez parte da decisão. “É incrível conseguir ter a praticidade de trabalhar perto de casa. Dos lugares que tanto conheço”, disse. A proximidade com o território influenciou a forma como o projeto foi sendo construído, sem pressa de crescer e sem vontade de se afastar do essencial.

Ao longo de 2025, o Estúdio Rita Zorro apareceu várias vezes na NiB. A presença repetiu-se por razões diferentes: aulas com procura constante, workshops esgotados, residentes a produzir, feiras pensadas para peças que não ficaram perfeitas, mercados sazonais e encontros à mesa. Não houve um momento isolado a marcar o ano. Houve continuidade.

O prémio entra agora na história do estúdio como reconhecimento público de um trabalho ligado à cidade e às pessoas que a habitam. Para 2026, Rita olha para o calendário com o mesmo pragmatismo de sempre: novas turmas a abrir, mais gente a chegar, mais barro a ser trabalhado. O ritmo mantém-se. As fornadas também.

Carrega na galeria e conheça o trabalho do Estúdio Rita Zorro 

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