Se o outono de 2026 tivesse um uniforme da cintura para baixo, provavelmente seria dividido entre três peças: uma saia midi de ganga com volume, umas culottes compridas e umas calças tão largas que quase parecem uma saia quando estão em movimento. As três já passaram pelas passerelles, chegaram às marcas mais caras e começaram a aparecer no street style. Agora, chegaram à Lefties, todas em ganga escura, 100 por cento algodão e nenhuma custa mais de 22,99€.
É uma coincidência para quem gosta de moda, mas prefere gastar o orçamento noutras coisas. A saia midi custa 19,99€, as culottes ficam nos 17,99€ e as calças wide leg com pregas chegam aos 22,99€. Juntas, representam três das silhuetas que mais se repetem nas previsões para a nova estação e têm uma qualidade que costuma valer muito mais do que qualquer microtendência: conseguem continuar no armário quando a fotografia do momento já mudou.
A primeira é também a mais barata. A Lefties chama-lhe jort culotte denim, embora na prática esteja muito mais próxima de umas culottes compridas do que dos calções de ganga que usamos durante o verão. A perna larga termina abaixo do joelho, há duas pregas bem marcadas à frente, cintura média e bolsos laterais e traseiros, tudo por 17,99€.
Este comprimento tem aparecido repetidamente nas coleções e no street style das últimas temporadas. Depois da febre dos micro calções, a moda virou quase para o extremo oposto e recuperou bermudas amplas, calções de alfaiataria pelo joelho e culottes com bastante volume. A ganga dá-lhes peso suficiente para atravessar setembro sem parecer uma continuação das férias.
É também uma peça muito fácil de fazer parecer mais cara. Uma camisa branca larga, mocassins e um cinto de pele levam-na para uma direção. Uma camisola fina de gola alta e botas de cano alto levam-na para outra completamente diferente. Até uma T-shirt branca funciona, desde que o resto fique simples.

Logo acima no preço aparece aquela que talvez tenha mais hipóteses de durar anos: a saia midi de ganga godê, por 19,99€. A cintura fica definida, a saia abre gradualmente e o comprimento aproxima-se do tornozelo, sem chegar ao território maxi. A construção em godés cria movimento e evita aquela rigidez das saias de ganga direitas que, dependendo do tecido, podem parecer quase uma placa de denim.
As saias compridas de ganga regressaram há algumas estações e recusam-se a sair. A diferença para o outono de 2026 está sobretudo na forma. Depois dos modelos muito direitos e com grandes rachas frontais, começam a ganhar espaço versões mais amplas, rodadas ou construídas com painéis.
A versão da Lefties tem fecho frontal com botão e zíper metálico, dois tons de azul disponíveis e tecido em 100 por cento algodão. Por 19,99€, entra naquela categoria de peças que se consegue conjugar com praticamente tudo o que já existe no armário.
Com botas de cano alto e um casaco de lã, a saia funciona em dezembro. Com uma camisa masculina, pode funcionar para um look de escritório. Com uma camisola cinzenta e sapatilhas, resolve um sábado inteiro. Quando a primavera voltar, bastam uma T-shirt e umas sabrinas para continuar a usá-la.
É por isso que uma peça destas tende a sobreviver melhor do que modelos excessivamente ligados a uma estação. Ganga azul escura, comprimento midi e corte relativamente limpo existem há décadas. O que muda é a forma como se combinam.

A terceira peça custa 22,99€ e é provavelmente aquela que entrega mais moda por euro. Os jeans super wide leg têm uma perna muito larga, cintura média e pregas frontais que fazem o denim comportar-se quase como uma calça clássica de alfaiataria. O efeito percebe-se imediatamente: de longe, custa até a perceber que são uns jeans. A lavagem azul-marinho, as pregas e a amplitude da perna aproximam-nas das calças masculinas de fato, só que feitas em 100 por cento algodão.
É uma das ideias que atravessa várias coleções recentes: pegar na ganga e tratá-la como um tecido de alfaiataria. Nas passerelles, a ganga deixou há bastante tempo de viver apenas entre skinny, straight e boyfriend. Agora tem construção, pregas, painéis e proporções que antes pertenciam às calças clássicas. As da Lefties custam 22,99€.
E talvez seja aqui que entra um dos truques mais antigos das pessoas que parecem sempre bem vestidas sem parecer que compraram a montra inteira de uma marca de luxo. Misturam. Uma calça de 22,99€ pode aparecer com um blazer comprado há dez anos. Uma saia de 19,99€ pode receber umas botas de boa pele e uma carteira mais especial. As culottes de 17,99€ podem ser usadas com uma camisa impecável, um relógio antigo ou uns mocassins que custaram várias vezes o preço da roupa.

Estas três peças ajudam ainda por outro motivo: têm pouca informação desnecessária. Sem rasgões, aplicações, logótipos enormes ou lavagens demasiado marcadas. O azul escuro também trabalha a favor delas. Fica bem com camel, bordô, cinzento, chocolate, branco, preto e verde-azeitona, precisamente a paleta que costuma reaparecer quando começa o outono.
Também são todas feitas em 100 por cento algodão. A ausência de elastano deixa a ganga mais estruturada e ajuda as pregas e o volume a manterem a forma. Para quem acompanha tendências, os nomes das peças já são familiares. Para quem prefere ignorá-las, continuam a funcionar da mesma forma dentro de dois ou três outonos. E esse talvez seja o melhor negócio de todos, especialmente para o regresso ao escritório.
Carregue na galeria para conhecer as peças da nova coleção da MO que trazer opções para a volta ao trabalho.







