Imagine uma rua tranquila no Barreiro onde, de repente, as pessoas começam a sair com caixas de cartão nas mãos, como se levassem pequenos tesouros. A cena repete-se uma vez por mês e tem nome: Festival de Bolos. O evento, que começou com pouco mais de 30 unidades, cresceu rapidamente e, na próxima edição, a 9 de maio, já prevê a produção de quase uma centena de bolos. E há uma certeza: vão esgotar.
A história da Bolos da Milla nasce da iniciativa de Camilla Sanca, de 38 anos. Natural do Brasil, chegou a Portugal há oito anos com o marido, Badilé Sanca, da Guiné-Bissau, e os dois filhos.
Camilla trouxe consigo uma alargada experiência em hotelaria e restauração e uma paixão pela pastelaria. No Brasil, já vendia bolos em regime de delivery e manteve essa atividade em Portugal, enquanto trabalhava em espaços como a Mafraria. Ainda assim, queria ter um espaço só seu.
Há oito meses, encontrou um local no Barreiro e decidiu avançar. A escolha teve uma razão prática. “Abri ali porque é em frente à escola dos meus filhos e na mesma rua da oficina de pneus do meu marido”, explica.

A loja abriu precisamente na altura das férias escolares e, sem os alunos a passar à porta, os primeiros dois meses foram um teste à resiliência. Mas tudo com o recomeço do ano escolar.
Os filhos de Camilla tornaram-se os seus melhores embaixadores. Levaram os bolos para a escola, deram a provar aos amigos e num instante a notícia espalhou-se. Dos alunos passou para os pais, dos pais para os professores, e a Bolos da Milla tornou-se o segredo mais mal guardado da Margem Sul. O sucesso foi tal que Camilla teve que despedir-se dos outros empregos para se dedicar a tempo inteiro às suas criações.
Se num dia normal a montra oferece entre quatro a seis variedades de bolos, uma vez por mês a regra é o excesso. O Festival de Bolos é o evento que faz parar o bairro. No dia do festival, a Camilla abre as portas das 15 às 22 horas e transforma a loja num buffet de tentações com mais de 20 sabores diferentes.
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Na primeira edição, em janeiro, Camilla preparou 32 bolos. Voaram. Na segunda e terceira, aumentou a parada para 60. Voltaram a não chegar para as encomendas. Para a próxima edição, agendada para 9 de maio, a produção vai subir para os 80 a 90 bolos, garantindo que ninguém sai de mãos a abanar (embora o risco de esgotar continue a ser elevado).
Entre os best-sellers que provocam filas à porta, destacam-se duas criações: o Bolo Três Amores, uma combinação pecaminosa de massa de chocolate e massa branca, recheada com Nutella, leite Nido e chocolate; e o Bolo Pudim, que é quase uma obra de engenharia de pastelaria, com massa branca e um pudim cremoso tanto no recheio como no topo.
Para a próxima edição, Camilla já prometeu uma novidade absoluta, um cheesecake de açaí, que combina a frescura do queijo à energia da fruta brasileira. Como trabalha sozinha na produção, para o festival contará com a ajuda de outras duas irmãs que vivem no Alentejo.
O fenómeno é tão sério que muitos clientes já não se contentam com uma fatia para o lanche. Durante o festival, é comum ver pessoas a comprar diversas variedades para levar para casa. O truque? Congelar. Como os bolos são artesanais e húmidos, aguentam perfeitamente a congelação, permitindo que os fãs da Milla tenham a sua dose de açúcar garantida durante todo o mês, até ao festival seguinte.

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