Há lugares que nascem com estrela. E há outros que a conquistam, fatia após fatia, como um queijo curado. É nesta família que se insere o Coffeebox, um nome que já faz parte da paisagem afetiva do Barreiro. Primeiro, foi o café da esplanada com vista de cortar a respiração. Um lugar que, nas palavras do proprietário André Segundo, consegue o feito raro de juntar avós, pais e netos no mesmo dia.
Agora, essa história de sucesso prepara-se para um novo capítulo. Portas meias com a “casa mãe”, que há quase uma década acolhe conversas, primeiros cafés e finais de tarde prolongados, ergue-se o mais recente restaurante da cidade. É a materialização de um sonho que começou em 2012, passou pelas mãos de dois jovens funcionários ambiciosos em 2016 e desabrocha agora, numa expansão natural que fala ao palato e à alma.
Da amizade aos negócios
A ligação de André Segundo e André Cansado ao espaço é uma história barreirense como deve ser: feita de trabalho, amizade e visão. Conheceram-se no desporto, tornaram-se amigos e, mais tarde, colegas atrás do balcão do Coffeebox em 2015.
O antigo patrão do então Café do Rio decidiu seguir outros rumos. “E se fosse nosso?” A pergunta, feita a 1 de abril de 2016, longe de ser uma partida, foi a semente do que hoje floresce numa dupla espaçosa. Compraram o negócio, injetaram-lhe “uma dinâmica diferente e uma maior variedade de produtos”, e viram o café transformar-se no ponto de encontro que é hoje.
Mas o apetite, como se veio a perceber, era maior. A mesma sede que os levou a assumir o café, levou-os a espreitar para o lado. Dedicado aos miúdos, o antigo espaço está agora integrado no Coffebox. O sucesso da esplanada, as tostas que chegam para duas pessoas, as bifanas que são já lenda local – tudo pedia mais espaço. E a resposta está agora à vista de todos. Um restaurante de serviço completo, que é ao mesmo tempo uma homenagem às origens e um salto para o futuro.
Entrar no novo restaurante é reencontrar a alma do Coffeebox, mas com nova profundidade. Se o café era a sala de estar descontraída da cidade, o restaurante é a sua sala de jantar. A cozinha portuguesa, que sempre esteve presente nos petiscos, assume aqui o protagonismo com a confiança de quem conhece o seu lugar.
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É uma ementa que parece uma conversa entre gerações. A picanha (18€) e o bife da vazia (18€) falam aos que buscam tradição e robustez. O choco frito (13,50€) é um aceno claro à identidade barreirense, um prato que cheira a rio e a memória. Já o camarão de Brás (12,50€) e a posta de salmão (15,00€) trazem um sopro de contemporaneidade, sem complexos.
E porque nenhuma grande refeição termina sem um ponto final doce, a equipa manteve as sobremesas caseiras que são um carinho para a alma. O bolo de bolacha (4,50€) e o crepe de chocolate belga (5,50€) são a prova de que alguns clássicos são eternos.
Do grão ao prato
A paixão pelo serviço e pelo bem-receber, marcas dos dois André, transborda para a carta de bebidas. Não é por acaso que a oferta é tão cuidada. Os vinhos, dos da casa (8€) aos reservas, como o Trinca Bolotas (17€), foram escolhidos para acompanhar a jornada gastronómica.
Os gins, desde o popular Fox (6,50€) ao distintivo Nordes (10€), contam a sua própria história numa prateleira. E os cocktails, com nomes que brincam com a identidade da casa – BoxTail, CoffeeTail –, são a promessa de que as noites no Barreiro podem ser tão vibrantes quanto os seus pores do sol são serenos.
O novo espaço não é apenas uma réplica ampliada. É uma evolução natural que respeita a essência do que já era amado. A decoração mantém aquele equilíbrio perfeito entre o rústico e o moderno, com toques que remetem para o passado industrial do Barreiro, mas com um olhar virado para o futuro. As mesas mais espaçosas convidam a refeições demoradas, onde o tempo parece passar mais devagar, ditado pelo ritmo do rio.
O novo restaurante do Coffeebox é a continuação de uma história partilhada com uma cidade e com as suas gentes. E no Barreiro, onde a comunidade é rainha, este novo capítulo promete ser lido e relido, garfo após garfo, nas muitas mesas que se vão enchendo de histórias para contar.

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