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Família transforma pastelaria de 30 anos num pronto-a-comer. Cozido esgotou na abertura

Maria Manuela continua responsável pelos tachos, enquanto os filhos Carlos e Sandra assumem a sala, as encomendas e entregas ao domicílio.

O primeiro dia deixou logo uma pista sobre o tipo de pronto-a-comer que a família Santos quer construir no Lavradio. O cozido à portuguesa começou a sair ao almoço e, quando chegou a hora do jantar, o tacho já estava vazio. “Devo ter vendido umas 40 doses”, conta Carlos Santos à New in Barreiro.

A quantidade ultrapassou o que a família esperava para uma estreia feita praticamente entre clientes antigos e pessoas da vizinhança, que já aguardavam pela mudança. “Nossa ideia era servir ao almoço e jantar, mas a grande procura não deixou e tivemos de servir os outros pratos do dia ao jantar”.

O restaurante Os Santos abriu esta terça-feira, 1 de setembro, no Lavradio, mas a história daquela porta começou muito antes. Os pais de Carlos abriram ali o negócio, em 1997, na altura como café e pastelaria. Depois da morte do pai, Carlos, com 29 anos, e a irmã, Sandra, de 34, assumiram a casa em janeiro de 2021 e continuaram a trabalhar com a mãe, Maria Manuela, de 59. Quase três décadas depois da primeira abertura, decidiram mudar completamente o formato.

A responsável por essa mudança já estava, afinal, atrás do balcão há anos. Maria Manuela cozinhava algumas refeições quando o espaço ainda funcionava como pastelaria e os pedidos começaram a repetir-se. “As pessoas pediam muito para começarmos a vender refeições porque gostavam da comida da minha mãe”, explica Carlos. Com o pronto-a-comer, a família passou a ter margem para preparar mais pratos, aumentar a produção e fazer da cozinha o que antes aparecia apenas como complemento.

E foi a comida da mãe que colocou o novo negócio à prova logo no arranque. O cozido à portuguesa de 1 de setembro tinha sido preparado desde cedo e acabou por se tornar o prato mais procurado. “Vendeu mais do que esperávamos, foi mesmo logo no primeiro dia”, admite Carlos. A família pondera voltar a prepará-lo uma vez por mês, embora prefira esperar para perceber como corre setembro antes de criar dias fixos.

Um menu diferente todos os dias

Quem gostou do cozido terá de ficar atento às redes sociais. A família decidiu fugir a uma ementa semanal repetida e publica, ao final de cada dia, os pratos preparados para o seguinte. Carlos explica a escolha a partir de quem já se sentava ali antes da transformação. “Tenho pessoas que vêm cá almoçar todos os dias e depois torna-se muito repetitivo, por isso vamos variando.”

A primeira ementa ajuda a perceber o sabor pretendido. No dia da abertura, além do cozido à portuguesa e da respetiva sopa, havia bacalhau com natas e bifinhos na frigideira. Para quarta-feira, 2 de setembro, a cozinha mudou por completo: creme de cenoura para começar, seguido de lombo assado no forno, massa de maruca e lombinhos. E para quinta-feira, 3, o menu inclui sopa de nabiça, panados, bacalhau à Gomes Sá e febras.

Essa rotação diária também permite a Maria Manuela cozinhar como se cozinha numa casa, onde a pergunta “o que fazemos amanhã?” ainda pode mudar a resposta. O tempero, sublinha Carlos, continua a ser o dela. Quando lhe perguntamos quem está na cozinha, a resposta sai quase sem hesitação: “É a minha mãe. Ela é que tem as mãos.”

Os preços acompanham o prato escolhido e a quantidade. As doses habituais rondam os 5,50€ por dose individual, 9€ a meia dose e 11€ na dose, embora algumas receitas possam ser mais caras. O cozido da estreia foi um desses casos: 6,5€, 10€ e 12,50€ a dose, que serve duas pessoas. A possibilidade de escolher quantidades diferentes também responde a uma característica do público que já frequentava o antigo espaço, composto em parte por moradores da zona já idosos e clientes habituais, que comem pouco. “Não queríamos deixar de atender a estas pessoas e criamos a dose individual”, explica Carlos.

O salão tem cerca de 14 lugares, portanto existe a possibilidade de comer no local, mas uma fatia importante do novo negócio passa pelo take-away. Ao almoço, a equipa concentra-se no atendimento, nas mesas e nas refeições que saem para fora. Ao jantar entra outro braço do projeto, as entregas ao domicílio, feitas pela própria família. “Entregamos ao almoço, mas quem faz isso é uma equipa. Eu e minha irmã ficamos na casa, a ajudar no salão. À noite, assumo o take-away”.

A carrinha branca com o logótipo d’Os Santos já faz parte da nova imagem do espaço. As entregas abrangem o Barreiro e a Baixa da Banheira, com uma taxa calculada consoante a morada. Para a Baixa da Banheira, por exemplo, Carlos aponta um valor de cerca de 3,50€. As reservas podem ser feitas através do 937 633 584.

Durante setembro, a família decidiu abrir todos os dias, incluindo sábados e domingos, para testar o funcionamento desta nova fase. O almoço decorre entre as 11 horas e as 14h30 e o jantar entre as 18 e as 21 horas. “Neste primeiro mês, vamos experimentar todos os dias e depois vemos”, explica Carlos, que prefere ajustar horários e rotinas depois de perceber o comportamento dos clientes.

Os Santos

Carlos e Sandra chegaram a esta fase depois de uma mudança profissional brusca. Antes de assumirem o negócio da família, os dois trabalhavam numa fábrica do setor automóvel. A morte do pai, em 2021 por Covid, antecipou o regresso ao espaço do Lavradio e obrigou-os a aprender depressa uma rotina que até então conheciam sobretudo por acompanharem os pais. Desde essa altura, deixaram a fábrica e passaram a trabalhar a tempo inteiro com Maria Manuela.

A abertura do pronto-a-comer é, por isso, a primeira grande mudança feita já pelos três. Carlos e Sandra tratam do atendimento, das encomendas, da sala e da logística, enquanto Maria Manuela continua concentrada na cozinha. O novo formato trouxe mais produção, mais horários e uma operação bastante mais pesada do que a antiga pastelaria, razão pela qual a família prefere usar setembro para perceber o que consegue manter de forma regular.

Algumas decisões só serão tomadas depois deste primeiro mês. A frequência do cozido, os dias de maior procura, a eventual criação de pratos fixos e até o funcionamento diário e dias de folga continuam em avaliação. A família Santos prefere observar primeiro como os clientes respondem à mudança. “Estamos a experimentar e depois vamos ajustando”, resume.

Carregue na galeria e descubra outros espaços onde pode provar cozido à portuguesa no Barreiro.  

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