Em 2024, a produtora Vale da Rosa, famosa pelas uvas sem grainha, decidiu brincar com a fruta e dar-lhes um novo sabor: algodão doce. Um ano depois, a experiência e transformou-se em realidade. Estas uvas originais já chegaram aos supermercados.
A ideia surgiu quando o produtor Henrique Silvestre, do Vale da Rosa, se deparou com estas uvas peculiares numa feira nos EUA. O sabor foi desenvolvido na Califórnia há mais de uma década, através de uma espécie criada no Canadá, que apresentava notas tropicais no perfil de sabor da uva. Decidiu então trazer o conceito para Portugal e começou a plantar alguns pés na herdade alentejana.
A versão adocicada, que remete para o algodão doce, resulta da plantação da variedade IFG Seven. Esta referência foi criada há mais de uma década pela empresa International Fruit Genetics (IFG), conhecida por desenvolver frutos com sabores pouco convencionais. A marca altera geneticamente a fruta para a moldar ao sabor desejado.

O processo, contudo, não envolve o uso de químicos. A técnica baseia-se em cruzamentos específicos (alguns com séculos de história), que consistem em extrair pólen das flores masculinas para o aplicar nos cachos femininos da planta escolhida. A operação repete-se até atingir o sabor ideal. No caso das uvas de algodão doce, destacam-se pelo sabor mais adocicado, pela forma longa e pela textura firme e crocante.
“Penso que é o futuro, as uvas com sabor“, disse Henrique Silvestre, produtor da Vale da Rosa, ao “Eco” em 2024. “Trabalhámos muito até chegar a estes cachos ideais e ao sabor que o mercado irá gostar”, acrescentou à mesma publicação, enquanto revelava que iria colher os primeiros 30 mil quilos entre agosto e setembro do ano passado. O resultado foi positivo e este verão conseguiu levar a nova variedade para as prateleiras dos supermercados.
As uvas de algodão doce do Vale da Rosa estão à venda em embalagens de 300 gramas por 1,99€.








