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Chamam-lhe Tio David desde os 4 anos. Agora abriu um wine bar com esse nome no Barreiro

A carta do novo espaço aposta em vinhos da Casa Ermelinda Freitas, pratos do dia e petiscos portugueses servidos até de madrugada.

Há um único elemento do Wine Bar Tio David que o proprietário faz questão de retirar da lista do que construiu com as próprias mãos: o chão. David Costa não sabia assentá-lo e, depois de três meses a pintar, escolher materiais, acompanhar a produção do mobiliário e transformar uma antiga tasca, decidiu deixar essa parte para quem percebia do assunto.

Tudo o que conseguiu fazer sozinho permitiu controlar o investimento no primeiro negócio do barreirense de 35 anos, inaugurado na sexta-feira, 10 de julho, com pratos portugueses, petiscos e uma carta inteiramente dedicada aos vinhos da Casa Ermelinda Freitas.

A morada apareceu-lhe durante o trabalho que ainda mantém, como motorista no concelho do Barreiro. David passava frequentemente pela rua ao volante do autocarro e começou a reparar no número de telefone colocado na montra do espaço, disponível para arrendamento. Ligou, marcou uma visita e tomou a decisão sem prolongar a procura: fechou o negócio no primeiro dia em que entrou.

O antigo estabelecimento servia sobretudo almoços e conservava o ambiente de uma pequena tasca. A nova casa recebeu outra identidade, embora tenha mantido uma ligação muito clara à comida portuguesa e à escala de bairro. “Sempre trabalhei na restauração, em bares e como barman, e também passei pelos cruzeiros. Mais tarde, trabalhei num restaurante em Lisboa que funcionava dentro deste registo e gostei muito do conceito. Trouxe essa ideia para aqui: ao almoço temos pratos tradicionais portugueses, com uma opção de peixe e outra de carne, e depois entram os petiscos, as tábuas e os vinhos”, explica David.

A opção de trabalhar exclusivamente com um produtor distingue o Tio David dos restaurantes com garrafeiras extensas e dos bares que acumulam dezenas de marcas. A carta concentra-se na Casa Ermelinda Freitas e organiza a experiência a partir daí, com tinto, branco e rosé da casa vendidos ao copo, em garrafa de 375 ou de 750 mililitros, além de reservas, espumante, moscatel e sangrias. David prefere chamar-lhe “casa de vinhos”, uma definição que ajuda a perceber a mistura pouco habitual do espaço: abre de manhã para cafés e torradas, serve comida tradicional ao almoço e prolonga-se pela noite com tábuas, petiscos e garrafas para dividir.

As duas irmãs de David assumem a cozinha, enquanto a mulher acompanha o funcionamento diário e as sobrinhas aparecem para ajudar, sobretudo nos momentos de maior movimento. A razão para haver tantos “tios” à mesa começou muito antes deste projeto. David tornou-se tio aos quatro anos, por ser o mais novo de cinco irmãos e o tratamento atravessou décadas, até acabar impresso na fachada, nas redes sociais e em pratos como os lombinhos à Tio David, o pica-pau à Tio David e os ovos rotos à Tia João.

“Sou tio desde os quatro anos. Somos cinco irmãos, quatro raparigas e eu, e fiquei sempre conhecido como o tio David. Agora trabalho aqui com duas das minhas irmãs, com a minha mulher e as minhas sobrinhas. Até já tenho três sobrinhos-netos, por isso o nome acabou por fazer ainda mais sentido”, conta.

A rotina da casa começa por volta das oito horas, quando os primeiros clientes já podem pedir café, galão, torradas ou sandes. David chega mais cedo para preparar o serviço, mas decidiu não avançar com pastelaria, nem encher o balcão de bolos. Até às 19 horas, a carta inclui cafetaria, snacks e tostas, ao almoço, a cozinha serve diariamente dois pratos, um de peixe e outro de carne, que vão mudando ao longo da semana. O menu base custa 11,5€, e a bebida e o café podem ser acrescentados por mais 2€.

Num dos primeiros dias, o almoço juntou ervilhas com ovos escalfados e bacalhau à Brás. Para o fim de semana foram anunciados carne de porco à alentejana, peixe frito com arroz de tomate, pernil com batata corada, filetes de peixe frito com arroz de feijão, pernas de frango com batata frita e bacalhau à Gomes de Sá. Aos sábados, os caracóis entram também na programação, entre travessas destinadas a acompanhar uma imperial ou uma garrafa aberta na mesa.

“Todos os dias vai haver um prato novo, sempre com uma opção de peixe e outra de carne. Ao domingo também abrimos para almoço. Depois passamos para os petiscos, com peixinhos da horta, tábuas de queijo e enchidos, lombinhos, pica-pau e o hambúrguer no bolo do caco. A ideia é que a comida acompanhe os vinhos e que as pessoas possam vir tanto para uma refeição, como para ficar a petiscar”, descreve.

 

 
 
 
 
 
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O tamanho reduzido obriga a uma operação próxima das mesas. A sala tem dez lugares sentados. No exterior cabem mais 24 clientes, elevando a lotação habitual para 34. Nos dias úteis em que abre, o serviço prolonga-se até às 23 horas, às sextas-feiras, sábados e domingos segue até à uma da manhã. A terça-feira ficou, para já, reservada como dia de descanso. A possibilidade de acrescentar música à programação continua em aberto, mas o proprietário quer perceber o ritmo real da casa e a forma como o público ocupa o espaço.

A inauguração também abriu um problema que David ainda está a tentar resolver: como conciliar uma casa que começa a funcionar de manhã e termina de madrugada com o emprego de motorista. O primeiro fim de semana decorreu durante as férias, com a família distribuída entre a cozinha, o balcão, as mesas e a esplanada. Quando regressar ao volante, os horários terão de ser combinados com a mulher e as irmãs, sem retirar o proprietário de um negócio que ainda está a aprender a funcionar.

“Este é um sonho realizado, até me arrepio quando digo isto. Foram três meses de trabalho e houve muito que fui fazendo com as minhas próprias mãos. Vou continuar como motorista e terei de conciliar os dois trabalhos. Estou de férias neste momento, por isso ainda não sei exatamente como vou organizar tudo, mas a minha mulher fica aqui, as minhas irmãs também, e depois vou ajustando os horários”, afirma.

A carta mantém preços curtos, tanto na comida, como nas bebidas. A cesta de pão, o pão torrado com manteiga de ervas e as azeitonas custam 1,5€ cada, os peixinhos da horta e os ovos rotos à Tia João ficam por 5€, os cogumelos recheados custam 6€, os lombinhos à Tio David 7€ e o pica-pau, os filetes de pescada com arroz de feijão ou o hambúrguer no bolo do caco custam 8€. Entre as tábuas, a de presunto sai por 9€, a de queijos por 10€, a de enchidos por 16€ e a mista por 18€.

Nos vinhos da casa, um copo de tinto, branco ou rosé custa 3€, a garrafa de 375 mililitros fica por 5,50€ e a de 750 mililitros por 9€. O Dona Ermelinda Reserva, tinto ou branco, custa 15€, o espumante bruto branco 16€ e as garrafas Dona Ermelinda Freitas Syrah Reserva, Touriga Nacional ou Casa Ermelinda Freitas Sauvignon Blanc e Verdelho chegam aos 17€. Para fechar a refeição, há pudim, doce da casa ou fruta da época a 3,5€, cheesecake, mousse de Oreo e bolo mousse a 4€, enquanto o trio de doces custa 8€.

Carregue na galeria para conhecer mais o novo spot do Barreiro.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Escola dos Fuzileiros Navais n°99
    2830-170 Barreiro
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira | das 7 às 23 horas
  • Terça-feira | Fechado
  • Quarta e Quinta-Feira | das 7 às 23 horas
  • Sexta-feira a Domingo | das 7 às 01 hora
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
petiscos

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