Há quem diga que o segredo de um bom negócio é resolver um problema. No caso de Noémia Dores e Ricardo Soares, a necessidade vinha de dentro de casa, multiplicada por quatro. Pais de quatro filhos — todos devotos confessos de uma boa taça de açaí — o casal sentia que o Barreiro precisava de um refúgio onde o fruto roxo fosse o protagonista, servido com a calma que a margem do Tejo exige.
Assim, nasceu o Açaí do Tejo, que abriu portas na última segunda-feira, dia 6 de abril, trazendo uma dose de frescura à renovada zona dos moinhos.
Localizado na Rua Miguel Pais, o espaço tem o cenário “mais jovial, com a natureza”, como descreve Ricardo Soares. A decoração convida ao relaxamento de quem acaba de fazer uma caminhada pelo passadiço ou quem procura apenas um final de tarde idílico. “Achamos que o projeto encaixava perfeitamente junto ao rio, na zona ribeirinha, na zona dos moinhos e decidimos avançar”, conta Ricardo, entusiasmado com a primeira experiência do casal na restauração.
Acima de tudo, o projeto é um assunto de família. Noémia é a mentora e dona do negócio, mas conta com o braço direito de Ricardo e a energia dos filhos mais velhos, Cintia e Rodrigo, no atendimento. Até a escolha do produto passou pelo crivo rigoroso dos filhos.
Antes de abrirem, a família transformou-se em “especialista” na matéria. “Experimentámos muitos açaís. Depois, com o nosso próprio produto, fomos aplicando e testando, consumindo nós mesmos, até ver quando é que estava agradável à vista”. O resultado é um açaí de textura aveludada, que chega à mesa focado no impacto visual, pois, como lembra o proprietário, “é um produto que se come com os olhos”.
A estrela da companhia divide-se em três tamanhos, mas é na taça maior que a magia acontece. O copo pequeno (250ml) custa 5,90€ e dá direito a três toppings; o médio (350ml) sobe para os 7,90€ com quatro acompanhamentos.
No entanto, para os verdadeiros aficionados, a taça de 500ml (9,90€) é o paraíso: não tem limite de toppings. Pode misturar a frescura do morango, da manga e do kiwi com a textura da paçoca, o estaladiço do mirtilo ou a doçura do leite condensado e da Nutella. “O cliente mete o que mais gostar, não tem limites”, garante Ricardo, sublinhando a variedade de fruta sazonal sempre fresca, das framboesas às uvas brancas sem grainha.
Mas nem só de açaí vive este novo spot. A carta foi pensada para abraçar o conceito de vida saudável e “clean”. Há smoothies 100 por cento fruta, sem qualquer tipo de aditivo, e sumos naturais que prometem ser o melhor amigo de quem frequenta os ginásios da zona ou pratica desporto à beira-rio.
Para quem não prescinde de um mimo mais reconfortante, o Açaí do Tejo serve bolos caseiros do dia, que acompanham na perfeição a cafetaria da marca Cabinas, do clássico expresso ao galão ou ao cappuccino.

Com apenas uma semana de vida, o fluxo de clientes já dá sinais de que a aposta na zona ribeirinha foi certeira. Mesmo com o vento típico do Barreiro a querer marcar presença, a segunda e a quarta-feira já mostraram que a “malta jovem” e as famílias locais estavam órfãs de um conceito assim. “Para um começo de negócio, foi muito bom”, confessa Ricardo.
A experiência completa vive-se nas duas esplanadas do estabelecimento. Uma delas, lateral, recebe quem desce da Avenida Alfredo da Silva; a outra, atravessando a rua, coloca o cliente praticamente dentro do Tejo, com os icónicos moinhos de Alburrica como pano de fundo. É o cenário perfeito para ver o pôr-do-sol enquanto se saboreia uma taça fresca de açaí.
Para o futuro, as novidades já estão em preparação. Noémia e Ricardo estão a planear a introdução de matcha — um pedido que ainda escasseia na cidade — e a criação de “bowls” maiores, pensadas para serem partilhadas entre amigos ou casais.
As entregas ao domicílio via Uber Eats e Glovo também estão no horizonte, assim que a equipa familiar consiga consolidar o ritmo de serviço.
Por agora, o Açaí do Tejo funciona de terça a domingo e o horário deverá ser alargado com a chegada definitiva do calor.









